sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Malhação placebo


Agora tenho sentido preguiça de ir pra ginástica, aí eu faço o seguinte: visto a roupa de malhar, calço o tênis e vou andando, passo pela frente da academia, faço a curva e volto pra casa. Nossa, estou me sentindo super-malhada. Nada como enganar o cérebro.

E aí?


Me disseram que eu tinha que casar, ter um filho, ser bem-sucedida, ter um bom emprego, pensar no futuro, ter pensamento positivo, estar sempre feliz, ser simpática, eternamente jovem, magra e linda, fazer terapia, acreditar em Deus, ser forte, ter previdência privada, viajar pra Europa, ganhar dinheiro, comprar um carro, praticar esportes, fazer pós-graduação, falar inglês, francês e alemão.

E se eu, simplesmente, não quiser?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Que o vento me leve...


Pra bem longe de mim.

sábado, 10 de outubro de 2009

Se fode aí - Parte 2


Cheguei na pousada da família Buscapé, em Valença, exausta depois de um dia de trabalho. Assim que deitei pra descansar notei que estavam em obras no andar de baixo, no restaurante. As horas foram passando e nem sinal da obra parar. Às 9 da noite desci e perguntei ao peão que horas acabava aquela merda e filho da puta me respondeu com um tom anasalado peculiar da espécie "aquin én vintinquantro honraa..." Subi irritada procurando o dono do estabelecimento e só encontrei corredores vazios e portas fechadas. Por um momento pensei em surtar e dar voadoras nas portas, mas me acalmei e fui pro quarto. Deitei e a cada barulho da máquina de cortar azulejos eu me concentrava desejando que uma mão fosse decepada. Mas o pensamento anda fraco, não rolou nem um dedinho cortado.
De manhã cedo o dono da pousada, o Zé Buscapé, discutia aos berros com a mãe perto do meu quarto. Tipo: cliente? Se fode aí.
Por mais absurdos que eu veja, a capacidade de me surpreender com novos absurdos parece inesgotável.
Viva a educação!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Agregando valores

Conheci uma senhora neo-hippie que mora no Vale do Capão, Chapada Diamantina. Conversa vai, conversa vem e ela me diz que é massoterapeuta. Eu com minha coluna trash me animei e marquei uma sessão de massagem. Combinamos dia e horário, aí lembrei de um detalhe: quanto custa?

-80 reais a sessão.

pausa dramática

-Ah tá...

-É que além da massagem muscular eu faço alinhamento de Chakras.

-Hum... Você faz só a massagem muscular? É que alinhei os meus Chakras faz pouco tempo. Alinhei e balanceei.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Palhaçada 2016


Já tô vendo tudo, olimpíadas no Brasil significa obras superfaturadas, roubalheiras e, no final de tudo, vários elefantes brancos.

Mas o que é mais hilário é o sentimento nacionalista do tipo "vamos tirar os meninos de rua e colocá-los no esporte". Como assim? Treinar o ladrão nos cascos? Tipo uma paródia do Hitler nas olimpíadas de 1936?

Espero estar bem longe desse país ridículo em 2016.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cansei


Cansei de blogs, cansei de moderar comentários, cansei de blá blá blá, cansei de ler a vida dos outros, cansei de escrever a minha vida, cansei.

Beijos e não me liguem.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Explicando tatuagens


- Nossa! Você tem um monte de tatuagens, né?

- É.

- O que elas significam?

- Bom, essa rosa no braço significa rosa. Já a rosa azul do pescoço, rosa azul. Os gatos nas costas significam gatos. Entendeu ou quer que eu desenhe?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cala essa boca, porra!


Se tem uma coisa que eu não consigo entender é a compulsão pela fala. Qual o prazer que dá numa pessoa falar sistematicamente? Será que nem desconfiam o quanto é desagradável ouvir uma conversa sem fim?
Hoje na academia [é, estou fazendo academia pra melhorar meu humor] tinha uma criatura patética e feia, falando interruptamente com ninguém e com todos ao mesmo tempo. Claro, as pessoas que falam demais acham que os outros prestam atenção no que elas dizem. Estão muito ocupadas falando, não percebem que quem tem realmente algo importante a dizer não fala por tanto tempo e não faz do seu discurso uma coisa banal, descartável. Porque num determinado momento a fala se torna um incômodo, algo nonsense como um latido, e que para nós [ouvintes involuntários] a única coisa que interessa é que essa pessoa cale a boca, para todo o sempre, se possível.
A mulher fazia esteira e falava, alto, sobre diversos assuntos inúteis: falta de vagas nos estacionamentos de shopping, medo de assalto, limonada, seu fim de semana na casa de praia, no calor, dicas de saúde, chegada da primavera, ânimo para malhar, viroses, receitas de chá para gripe... De vez em quando me olhava tentando puxar assunto. Não dei chance pra diálogo, esse tipo de gente me dá preguiça e antipatia.
Para refletir: falar muito não te deixa mais interessante, ok? Sim, você que fala para caralho é uma pessoa chata para caralho. É grosseiro e invasivo falar demais, ou seja, falta de educação mesmo. Você não tem uma tecla mute, nem volume, nem um x vermelho em cima, portanto, cala essa boca, porra!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Corra Ana Luiza, corra


Fui ali ver se estou na esquina. Talvez eu volte.

Beijo me liga.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quidam - Sensação única.


Fui ao Cirque du Soleil ontem com Elaine, sentamos na primeira fila, de cara com o palco. É inacreditavelmente lindo e absurdo o que aqueles seres fazem. É inútil tentar descrever o espetáculo, beira o surrealismo. Tudo é perfeito, o figurino, a música, os artistas, a maquiagem... Até os palhaços são engraçados [olha que tenho horror a palhaço]. A galera dos circos meia-boca deveriam ir assistir e desistir para sempre da carreira circense.

Quando eu achava que já tinha me emocionado o suficiente eis que algo acontece: o clown, meio Chaplin, me chama pra subir ao palco para participar da sua apresentação. Não acreditei quando apontou pra mim e me chamou, tentei resistir, disse que não ía, ele insistiu, até que fui. Subi no palco com as pernas tremendo horrores, não sabia onde colocar os braços nem se ria ou se chorava. Juntamente comigo mais 3 homens foram chamados. Tínhamos que interpretar uma cena de ciúmes. Eu era a traidora, um cara forte era o amante, outro magro e alto era o traído e um senhor gordo segurava a claquete. O clown fazia mímica, nos ensinava o que teríamos que fazer, depois segurava uma câmera de cinema e fingia filmar a ação. O pior era, quem não fizesse do jeito que ele queria era sacaneado, publicamente, debaixo de gargalhadas. Resolvi me entregar, já estava na merda mesmo, além do mais confiava nele. Fiz tudo direitinho como o sr. palhaço mandou. Num determinado momento esqueci que havia uma platéia lotada e me diverti encenando a comédia. O palhaço me rodou, me jogou pra cima, deu pirueta comigo, fez o diabo. Eu parecia uma boneca de pano na mão dele. Ui, sensação única.

Acho que vou fugir com o circo.

sábado, 29 de agosto de 2009

À Deriva



Fomos pro cinema bem cedo pra evitar aglomerações. Íamos assistir Confissões de uma Garota de Programa no circuito Sala de Arte, mas por motivos técnicos desistimos. O som deu um problema e ficamos meia hora aguardando o teste de som "Left! Right! Right surround! Left surround!" me-ia-ho-ra. Daí resolvemos abortar a sessão e partimos para outro filme: À Deriva, do diretor Heitor Dhalia. É um filme simples e lindo. No início me irritei com o Vincent Cassel falando português mas depois acostumei. O figurino anos 80 das crianças e adolescentes me fez lembrar minhas roupas nessa época e o mar me trouxe lembranças da minha própria vida.


Adorei.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Apagando antecedentes criminais


Resolvi fazer uma faxina no blog. Deletei mais de 20 posts. Uns eram muito comprometedores, nem tô a fim de ser processada, outros estavam uma merda mesmo [eu devia estar bêbada quando escrevi]. Aproveitei e editei vários, tirei algumas fotos, informações, nomes, impressões digitais, ocultei cadáveres. É, depois que li aqui que uma mulher foi processada por uma imobiliária porque postou no twitter que seu apartamento tinha mofo, todo cuidado é pouco. Isso sem falar que ninguém me contrataria caso lesse meu blog. Hello! O equilíbrio mental mandou lembranças.

Esse mundo virtual tá sinistro.

Era piada?


Estava assistindo alguma bosta coisa na tv quando a programação foi interrompida pelo horário eleitoral. Era uma deputada baiana e mala pra caceta [tive o desprazer de conhecer essa figura, é do tipo que só cala a boca quando dorme] falando sobre as atividades que o governo da Bahia realizou para atrair o turísmo para Salvador.

São elas:


  1. Carnaval

  2. São João

  3. Stock car

Pelo que sei o carnaval existe muito antes da avó do Lula nascer. O São João idem. Se o PT me fizesse o favor de acabar com essas festas por aqui eu ficaria muito grata. O Stock car foi uma palhaçada que teve nesse mês e acredito que ninguém do resto do país tenha sido informado do supereveinto.


Tudo bem que a exibição do programa é gratuito. Mas a produção dessa joça custa muito. Não entendi o propósito, era pra rir?


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Figuração de cu é rôla


Cheguei no local da gravação umas 5 horas da tarde, me conduziram pra trocar de roupa, a figurinista ri-dí-cu-la me deu uma blusa ri-dí-cu-la. A galera ri-dí-cu-la aspirando à fama recebia as coordenadas ri-dí-cu-las dos produtores ri-dí-cu-los. O Lázaro estava completamente ri-dí-cu-lo, a Luana Piovani tinha um monte de babaca em volta puxando seu saco de uma forma imbecil e ri-dí-cu-la. Os figurantes eram tratados como gado. Recebemos um kit lanche ri-dí-cu-lo, com direito a coxa de galinha cheia de óleo e um genérico ri-dí-cu-lo do biscoito negresco, o escuresco. Depois de esperarmos 4 horas, a diretora ri-dí-cu-la apareceu e explicou que nós, os ri-dí-cu-los, teríamos que dançar sem música e mexer a boca sem emitir som... Ri-dí-cu-lo. Quando começaram a separar os bois e as vacas mais vistosos pra começar a palhaçada, fugi pelos fundos, entrei no local do figurino e falei com a camareira que já tinha sido liberada, troquei minha roupa e sumi para todo o sempre daquele ambiente ri-dí-cu-lo.

Figuração capilar


Não tive como escapar, minha amiga me pediu desesperadamente que participasse da gravação, pois precisa de um número específico de loiras e que tá difícil de achar aqui. Ok, ela é muito minha amiga e não posso deixá-la na mão, mas falei: quero ficar longe, só pra fazer volume, se possível só filma o topo da cabeça, é cabelo loiro que eles querem né? Nada de close ou tentativa de representação, senão a cara de sem-saco vai cagar tudo. Já estão avisados.
Daqui a pouco o carro da produção vem me buscar.

domingo, 23 de agosto de 2009

Fungando o cangote do Lázaro

Uma amiga produtora me ligou e me pediu um favor. Pediu pra minha pessoa fazer figuração amanhã na gravação de um programa de tv. Disse que precisa de mulheres brancas e loiras pra flertar com o ator principal. A princípio aceitei, poderia dar assunto pro blog, mas depois ela falou que talvez tenha que cheirar o cangote do Lázaro... Sei lá, sou muito crítica, o senso do ridículo não me permite fazer certas coisas. Eu sinto vergonha pelos figurantes, é triste ver aquele rebanho de gente mexendo a boca fingindo que estão atuando. Pior ainda é pagar de biscate patricinha no estilo zorra total, é uó, né não? Além disso lembrei que tenho que dar o remédio da minha Basset Hound adolescente, exatamente na hora da gravação.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A vida é bela


Quando a gente fica doente vê o quanto é importante estar saudável. Depois de uma semana debilitada finalmente me recuperei e voltei a trabalhar.
Estava no ferryboat, feliz em estar me sentindo tão bem, quando percebi ao meu lado uma menina com uns 4 anos de idade. Notei que ela tinha algum problema mental, falava sistematicmente coisas sem nexo. A mãe, sem sinal de amor, não a olhava nos olhos. De repente deu-lhe um tapa na cabeça. A garotinha não chorou, olhou a mãe fixamente, guardou seu ódio para uma neurose futura e começou a falar repetidamente “sua feia, sua feia, sua feia...” durante uma hora sem parar. Comecei a pensar no ser-humano e nessa merda toda em que vivemos. Mas logo interrompi meu pensamento e lembrei da minha saúde recuperada. Pensei: a vida é bela.

Na rodoviária de Valença havia uma outra menina, essa tinha uma má formação nas pernas, algo surreal. A dobradiça do joelho estava ao contrário, era mais ou menos como um curupira, ou como pernas de gafanhoto. As pessoas passavam e olhavam com curiosidade. As outras crianças [inocentes e cruéis] até paravam pra ver melhor a aberração. A menina do ferryboat continuava apanhando, só que dessa vez levava murros no braço. Logo lembrei o quanto me sentia saudável e pensei: a vida é bela.

À noite, voltando pra Salvador, novamente no ferry, vi 3 dentistas velhos. Todos com aparência de pobres, acabados, corcundas e cansados. Um deles tinha, além da corcunda, uma mega escoliose. Fiquei me imaginando com mais de 50 anos, corcunda, no ferryboat, com uma sacolinha de congresso na mão. Então mudei o pensamento e repeti mais uma vez: a vida é bela.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Abraçando o capeta


Quatro e meia da manhã, despertador, ferryboat, dor na coluna, ônibus, Valença, bocas, aparelhos, dor na coluna, dentes, almoço, feijoada, padre bêbado, carneiro, bocas, aparelho, dor na coluna, noite, sanduíche com mostarda e salmonella, madrugada, enjôo, dor no estômago, banheiro, cama, banheiro, cama, banheiro, cama, banheiro, cama, banheiro, manhã, cama, banheiro, enjôo, tontura, suor frio, desidratação, soro caseiro, banheiro, cama, banheiro, cama, banheiro, cama, soro caseiro, tarde, primeira refeição do dia, dor de cabeça, enjôo, banheiro, cama, ensaio de uma banda de rock no clube ao lado, cabeça pulsando, microfonia, cabeça latejando, letra de música estúpida, cabeça explodindo, cantor desafinado filho da puta, dor extrema, odeio rock’n roll, noite, cabeça me enlouquecendo, compressa de água gelada, medo de morrer longe de casa, meia-noite, remédio pra cólica menstrual [era o que eu tinha], dor de cabeça dos infernos, sono, despertador, café, bocas, aparelhos, bocas turvas, aparelhos desfocados, bocas embassadas, pernas bambas, fraqueza, bocas cubistas, mão tremendo, aparelhos surrealistas, bocas duplas, bocas longas, dia longo, estrada longa, ferryboat longo, mar longo, casa.
Hoje a moça da faxina está gripada. Espero que não seja gripe suína.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma camisa de força por favor.


Resolvi não mais tomar o Rivotril e eis que me encontro em plena síndrome de abstinência. Sensação de pânico, culpa por ter votado no Lula [só votei na primeira eleição], dor na coluna, pescoço travado, tremor, mãos geladas, ódio do blog, vontade de cortar o cabelo e raspar as sobrancelhas, de mandar todo mundo tomar no cu, de nunca mais sair do meu quarto, de entrar pro candomblé, de arrancar minhas celulites com as unhas, de fazer alpinismo e morrer congelada no topo da montanha.

Soy maluca?

sábado, 8 de agosto de 2009

Numa vibe cu


Já acordei mal-humorada e errei em ter ido ao shopping na véspera dos dias dos pais. Fui com o namorado e, enquanto resolvíamos o que comprar para os respectivos pais, passamos por uma loja que adoro. Tinha visto um vestido lindo, semanas antes, que não me saía da cabeça. Estranhei que a vitrine estava coberta por papéis e a entrada da loja bloqueada com uns cones e cordas. Havia uma vendedora na porta. Me aproximei e perguntei se a loja estava fechada. A menina tinha uma lista na mão e falou que naquele momento a loja só estava disponível para uma clientela VIP, pois era lançamento de coleção, mas nos deixou entrar [obviamente passamos no teste da boa aparência exigida pela loja metida a besta]. Infelizmente o vestido não estava mais lá, mas a high society da soterópolis estava, com suas caras de caralho, se sentindo importantes [Uau! Olha como somos very important people]. Rolava uma festinha e a galera perdia a linha na boca livre, tinha gente se empanturrando de biscoito só por ser free.

Partimos em retirada e fomos almoçar, a fome já atrapalhava o juízo. Não conseguíamos resolver o que comprar nem o que comer. Acabamos numa casa tradicional de lanches e sorvetes por ser mais rápido e prático.

Pedimos umas baguetes gourmet [era o nome do sanduíche], a moça que nos atendeu informou que o pão estava no forno e que teríamos que aguardar um pouco. Esse pouco foi muito, esperamos bastante tempo e quando o sanduíche chegou me assustei. Tinha uma aparência de mostruário de vitrine e um terrível cheiro de cu. Isso mesmo, cu. Acho que era o queijo velho.

Consegui comer metade do sanduíche mas o cheiro peculiar embrulhou meu estômago e travei. Falei com João: cheira esse sanduíche. Ele, ainda com a boca cheia, cheirou e instintivamente arremessou o pedaço, que tinha na mão, no prato.

Compramos os presentes e minha vibe [odeio esse termo, mas combina com a situação] que já estava uma merda, piorou.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dica de como evitar um assalto


Hoje saindo da consulta médica fui atravessar a avenida em direção ao shopping. Tenho um radar anti-ladrão, sinto-os a metros de distância. O sinal estava fechado e os dois meliantes vinham na minha direção. Segurei firmemente a bolsa e, como costumo fazer nessas situações, encarei os dois vagabundos com um leve sorriso e olhar de louca [exatamente essa cara do Jack Nicholson, só ficou faltando o palito de fósforo aceso na boca]. Eles passaram por mim e tentaram assaltar umas meninas logo na frente. Essa técnica sempre funciona. Certamente pensam que sou maluca e desistem do assalto.

Fica a dica.

P.S.: Se não conseguir fazer cara de Jack Nicholson essa da Regina Duarte também serve.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A paciente extraterrestre


Ela chegou na clínica pra fazer a consulta e dar início ao tratamento ortodôntico. A sua boca era um livro ilustrativo de má oclusão em 3D, impressionante [mordida aberta, face longa, muuuuito longa, dentes tortos, arcada superior estreita e mais outros mega problemas esqueléticos].

O chefinho conversou com ela, explicou tudo sobre o tratamento, disse que poderia ajudá-la a ter um sorriso bonito, mas o resto...

A ET sacudiu a cabeça concordando e disse: ok, ET, telefone, casa.

Desceu as escadas, entrou no seu objeto voador não identificado e partiu.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ray Caesar


A Andréa me enviou um comentário perguntando se a ilustração do meu blog era do artista Ray Caesar, eu não soube responder, aí fui dar uma pesquisada pra conhecer sua obra. Sou louca por ilustrações, sou fã do Mark Ryden, mas quando vi a arte do Ray Caesar enlouqueci. É tu-do!

Me deu até vontade de mudar o layout do meu blog... Hein?
P.S.: Andréa, certamente o desenho não é dele, o Ray é muito mais phyno!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Enquanto isso, no salão de beleza...


Cansei pensar no Somewhere Over the Rainbow, no máximo eu iria chegar "além do arco-iri com você...". Resolvi, então, dar um trato na chaparia da blindagem, dar um lustre na lataria, se é que me entendem. Fui ao salão de beleza próximo de casa e levei nada mais, nada menos que 4 horas no recinto. Fiz as unhas [mãos e pés] e cabelo [luzes, queratinização e corte]. Li muita besteira em revistas femininas [vida das celebridades, pra variar], mas o que me deixou pasma foi com o desabafo da cabelereira, que é a dona do salão e conheço a algum tempo. Eu acho que tenho cara de psicóloga ou de Márcia Goldschmidt, as pessoas adoram me contar seus problemas, impressionante.

Olha só o drama: ela é uma moça bonita, jovem e talentosa. O marido é um filho da puta e feio [eu já vi o traste]. Começou me contando que estava sem falar com ele, depois desabafou. Contou que compraram um carro juntos, os dois pagam o financiamento mas só ele usa, pois trabalha dando aula em vários lugares [além de feio é pobre]. Disse que ela tem que voltar pra casa de ônibus todos os dias, mesmo com chuva, pois o bonitão faz caminhadas exatamente na hora em que ela sai do salão [além de feio, pobre é egoísta]. Detalhe: ela tem que pegar 2 ônibus pra chegar em casa. Fora isso divide a despesa da gasolina porque pega uma carona, pela manhã, até o ponto de ônibus [além de feio, pobre, egoísta é pão-duro].

Quando ela acabou de falar eu perguntei se ela estava me contando uma piada. Falei logo: minha filha ele não te ama, aliás acho até que te odeia, é um folgado, escroto e tá se aproveitando de você. Ah! Com certeza tem outra, ou outras. Pode ter cer-te-za.

Dei uns conselhos básicos de sobrevivência, umas dicas pra ela ir trocando a blindagem passiva-feminina por uma fálica-narcisista.

Se ela conseguir resolver isso, bom pra ela, se não, foda-se. Cada um tem a blindagem que merece.

Voltei pra casa linda, loira e com unhas vermelhíssimas.


Over the Rainbow

Hoje acordei meio Dorothy Gale...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sei não, hein?


Falei que uma amiga me indicou uma psicóloga, mas ainda não liguei pra marcar consulta. Ando sem muita crença em terapia, principalmente depois que conheci e convivi com algumas psicólogas na época do PSF no sertão. Uma era louca, a outra também. A primeira era o egoísmo em carne e osso, além de se achar O MODELO de pessoa [meiga, oh!]. A segunda só andava mu-cho-lo-ca e parecia que tinha engolido um papagaio. Só falava: E aí nêga? O sistema é bruto...


Achei uma psicoterapeuta Reichiana através do google e mandei um email falando sobre a minha curiosidade pela técnica. Passaram-se alguns dias, ela finalmente me respondeu e mandou o link do local onde trabalha. Dá uma olhada aqui. Pensei em ligar mas depois prestei bastante atenção no que as pessoas da foto estão fazendo e, sinceramente, não rola fazer essa dancinha, ou sei lá o que é isso. Vivência, né? Não me dou com vivências, acho ridículo e tenho crise de riso. Fica pra próxima.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Tô fodida...


Mal paga, de saco cheio e blindada.

Mierda.

Freud, socorro!


Estou levando muito a sério o livro Análise do Caráter- Wilhelm Reich. Inicialmente identificava os caráteres neuróticos de pessoas conhecidas, agora comecei a identificar as minhas próprias neuroses. Segundo Reich “toda a forma de caráter, em termos da sua função básica, representa uma blindagem contra os estímulos do mundo exterior e dos impulsos interiores reprimidos”. Isso significa que vamos criando uma “blindagem do ego como proteção dos perigos do mundo exterior e instintivas repressões do Id”. Ele cita que “Há tanto mais ansiedade por detrás da excessiva delicadeza de uma pessoa como a há por detrás da reação grosseira e ocasionalmente brutal de outra”.

Bom, o que pude entender é que vamos criando camadas de caráteres neuróticos a fim de esconder algo que nem nós mesmos temos consciência. Eu já percebi que sou uma verdadeira cebola blindada. Me identifiquei com o caráter narcisista [namoro homens mais jovens na tentativa de dominá-los, essa é uma explicação do Reich sobre o caráter de mulheres narcisistas], tenho complexo de superioridade e traços de sadismo [vide figura do blog]. Porém isso tudo é uma blindagem tentando esconder um complexo de inferioridade e alguma fobia infantil.

Pensando sobre isso lembrei que me achava burra quando criança. Fui perseguida por uma professora de matemática no primário. O pior é que tinha tanto pavor daquela gorda dos infernos, que nem contava aos meus pais por medo de retaliações. O que faz uma professora perseguir uma menina de 7 anos, tímida e quase muda? Acho que ela não gostava da minha timidez, e do fato de eu ser mais bonita que a extrovertida e também gorda, filha dela [que pra meu azar era minha colega de classe].

Lembro-me que nas festas juninas da escola a filha-protótipo-de-baranga da professora era sempre a rainha do milho ou a noiva na quadrilha e eu, como sempre tinha mais meninas que meninos na sala, tinha que me travestir de homem e fazer par com outra menina. Detalhe: eu era magrinha, pequena, loirinha e frágil. Por que logo eu tinha que ser homem? Minha vingança se limitava em desenhá-la gorda e feia com uma verruga no sovaco. Depois passei a ter desejos de torturá-la, passava as aulas de matemática imaginando como matá-la com requintes de crueldade. Além dessa infeliz “educadora” obviamente aconteceram outros fatores que moldaram o meu caráter neurótico.

Cheguei a fazer terapia e hoje, vejo que, sinceramente, não passaram de bate-papo entre comadres. Depois freqüentei psiquiatras que explicavam tudo quimicamente e resolviam tudo na base de medicações.

Eu gostaria muito de ressussitar Reich [complexo de superioridade: Ana Luiza = Deus], ou Freud pra me dar um help. Me indicaram uma psicanalista, vou ver no que é que dá.

Universo: coisa de louco.


Outro dia assisti um programa sobre Cosmologia. Era um documentário longo sobre galáxias [suas formas e idades], Efeito Doppler, universo, quarta dimensão... Enfim, um catatau de informações que quase pirei tentando compreender como o universo pode ser finito. Apesar de ser um assunto que me interesa muito não teria como me aprofundar, pois teria que saber muita física. Sempre fui péssima aluna em física, meu cérebro tem um buraco negro na região responsável pelo seu entendimento. Empaquei nas leis de Newton e Ótica pra mim é aquela loja que vende óculos, imagina Física Quântica?

O que mais me intrigou foi a informação de que o universo é plano e curvo. Hã?

E Deus entra onde? Na quarta dimensão? Está sentado na curva do universo? Ele é responsável por todo o universo ou somente pelos terráqueos? Será que Ele usa microscópio pra nos enxergar?

Bom, ontem custei a dormir pensando nisso [não em Deus, mas no universo], coisa de gente doida. Depois pensei bem, pra que perder tempo pensando em entender as dimensões do universo se me perco até em estacionamento de shopping?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Susan Boyle baiana

Apresento-lhes a nova revelação da música popular brasileira: Marli. Enjoy it!

Mania de perseguição - Parte II


Depois que uma blogueira foi condenada a pagar a quantia de 1 milhão de reais a um figurão político, por ter criticado algo que já está na mídia há algum tempo [detalhe: ela é jornalista], bateu mania de perseguição.

A partir de agora quando eu for falar mal de alguém darei apenas dicas e vocês, leitores astutos, saberão identificar de quem estou falando.

Por exemplo: Bubana Biêla, presidente Ignorácio Polvo da Siva, Inerte Sangraça, entre outros. Daí vocês já sabem né?

Porque pagar 1 milhão por danos morais, só se eu fosse política, se vivesse mil anos ou ganhasse na mega-sena. Oops! Retiro o político, pra ele não pega nada, só pizza.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Se alguém quer matar-me de amor...

Sexta-feira tem show do Luiz Melodia e eu a-do-ro. Hoje o boyfriend foi entrevistá-lo e eu quase fui junto, mas eu tinha uns exames médicos marcados [que acabei desmarcando por pura preguiça] e acabou que fiquei em casa num status inoperantis vegetativus. Para minha surpresa, eis que recebo por email esse presente.
Quem não gostar, tô pouco me lixando.

video

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Escuta, Zé Ninguém!


Antes de fazer o vestibular eu resolvi fazer um teste vocacional, o problema é que deu vocação pra quase tudo: Artes, Jornalismo, Arquitetura, Ciências Biológicas, Psicologia... Ou seja, sou praticamente como o Leonardo Da Vinci. Outra coisa que tenho muito aguçada é a minha intuição, digamos que eu seja uma vidente com curiosidade investigativa. Bom, por que estou falando disso mesmo? Ah! Lembrei. É que recebi um comentário neste post aqui e a pomba-gira me soprou no ouvido que é um homem, mal resolvido sexualmente, mas homem. Além disso o Mr. Google me mostrou seu IP, isso não é incrível? Viva a tecnologia. Daí descobri o motivo de tanto ressentimento. Mas antes de explicar a razão original resolvi testar meus dotes psicanalíticos e traçar o perfil neurótico do otário: o Anônimo, também conhecido como o Zé Ninguém. Baseada no livro Análise do Caráter do Wilhelm Reich fiz algumas observações curiosas.
Vamos por partes: “Você é muito provinciana, eu diria de forma mais precisa: uma tabaroa.Já incorporou o espirito do povo de Valença. Acho melhor se contentar com Candeias”. Nesse trecho podemos observar um rancor pessoal, o objeto do seu ódio sou eu e o motivo foi eu ter moderado um comentário inútil e mal escrito que o Zé Ninguém postou. Provavelmente achou que eu iria concordar, mas, sorry, achei uma merda. Muito metido a sabichão [de onisciente já basta Deus, Mr. Google e o Jô Soares, né?] era um tratado sobre as cidades do interior da Bahia e blá, blá, blá, ZZzzzzzzz.... isso o frustrou. Então, segundo Reich: “... é típico do caráter compulsivo de ordem pedante... ele vive de acordo com um padrão irrevogável e preconcebido. Uma mudança na ordem prescrita causa pelo menos uma sensação desagradável. Nos casos que podem ser considerados neuróticos, uma mudança provoca angústia”.
Já nesta outra frase podemos ver traços de histeria:
“P.S. Gosto muito do seu Blog”
Reich afirma que: “O tipo de caráter histérico. No caso dos homens, além da delicadeza e cortesia excessivas, também aparece uma expressão facial e um comportamento femininos”.
No último trecho do comentário do miguxo podemos notar um certo sentimento de inferioridade e uma admiração excessiva pela minha pessoa.
“P.S.(2) Sei que esse comentário não vai ser postado, vc é muito vaidosa.”
Escuta, Zé ninguém, realmente você é complicado hein? Gosta do meu blog, mas me acha provinciana, confuso não?
Resumindo o diagnóstico: Compulsivo, histérico, torcedor do Bahia [pra quem não conhece é um time da terceira divisão], passa o carnaval ralando a tcheca no chão, no São João sacode o feofó ao som do Aviões do Forró, levou um corno feio em Valença [especificamente em Guaibim] e votava no ACM.
Prognóstico: Péssimo.
Tratamento: Correr 3 vezes por semana na orla da Pituba, comer 2 fatias de torta de chocolate da Doces Sonhos e aos sábados uma dose dupla de whisky no Bambara, pra ir relaxando a musculatura do esfíncter anal, sair do armário e ser feliz. Atenção, se nada disso surtir efeito: Demerol, na veia.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dois anos sem Toninho Malvadeza


O velho foi tarde, mas se eu fosse Deus o ressucitava [por algumas horas]. Só pra ter o enorme prazer de vê-lo agonizar, mais uma vez, em seu leito de morte.

Enganando o córtex cerebral com chocolate


É sempre assim, todo domingo bate uma deprê, uma vontade de matar aquele Fausto gordo Silva, de picá-le a dinzzgraaça [agora peguei a mania de falar dinzzgraaça] em tudo, fazer as malas e ir embora de Salvador. A metade carioca dos meus cromossomos quer tomar um chope no baixo Leblon, a outra metade baiana quer explodir Salvador e região metropolitana, comofás?

Daí que o boyfriend resolveu me levar pra comer doce pra melhorar meu humor. Resolvemos ir numa doceria no Itaigara, as tortas e doces de lá são realmente ótimos sintetizadores de serotonina. Um porém, o local apesar de bem decorado tem um ranço da baianidade crasse A soteropolitana. É frequentado por patricinhas com suas sandálias plataformas, seus cabelos cheirando a formol e suas caras de cu. Entramos no recinto e desistimos, havia uma aglomeração de pelo menos 30 mulheres, ávidas por uma fatia de endorfina, formando uma fila no balcão. Isso sem falar no DVD do Fábio Jr. que tava rolando em altas. Demos meia volta e fomos parar no oásis: o Fran's Café, oh-my-god! Salvação da lavoura. Comi bem, fui bem atendida [tinha até umas pessoas phynas] e, por um momento, até pensei que estivesse em São Paulo, no Jardins.

O que um bom chocolate quente não faz em um domingo chuvoso, hein?

domingo, 19 de julho de 2009

High Society da dinzgraaça


Ontem fui convidada para uma festa numa cobertura no Rio Vermelho, um dos melhores bairros de Salvador. A festa era de uma jornalista amiga do boyfriend e o tema era botequim. Me animei, estava com vontade de ir a algum lugar diferente de bares e restaurantes soteropolitanos, além de adorar comidinhas de boteco.

Ando muito sem saco pra sair de casa, principalmente quando chove, mas nessa ocasião resolvi arriscar. Caprichei na produção, roupa nova, make up e o caráio. Antes de sairmos de casa ainda ligamos pra um amigo, que já estava na festa, pra termos certeza de que valeria a pena ir. Ele confirmou: "Tá legal, tem bastante gente, muita comida, podem vir!".

Assim que chegamos percebi que tinhamos sido enganados. A festa estava realmente cheia [de gente feia e cafona] e tinha muita comida [ruim].

Gente, Salvador é mesmo uma merda, até os ricos têm espírito de pobre. O som que rolava era um forró da dinzzgraaaça!!! Um tal de Adelmário Coelho que pu-ta-que-pa-riu [vocês acham que uma criatura com essa cara de fuinha canta alguma coisa que preste?]. Depois trocaram o cd pra um pagode no estilo "rala a tcheca no chão".

Eu, que sai do conforto do lar, debaixo de chuva, ludibriada, voltei pensando que se eu não for embora dessa cidade, vou acabar morrendo cedo. É muito desgosto acumulado e isso não faz bem pra saúde.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Vou picá-le a dizzzngraaaça



Hoje foi um dia divertido, trabalhei de manhã no Pau miúdo [legal o nome do bairro, não?]. No mesmo consultório que trabalhei um tempo atrás e que enchi o saco pois a secretária sabia mais odontologia que eu. Impsionante. Mas agora voltei num status elevadus de ortodontista, aí a coisa muda de figura. Impsionante.


Depois fui encontrar com amigas dentistas que não via há algum tempo, almoçamos, comemos petit gateau, falamos mal dos outros e demos muita risada.


Elas falaram que se divertem lendo meu blog e não sei porque acabamos falando sobre pobres. Uma delas falou a pérola do dia: "O que mais odeio no pobre daqui é a mania de falar desgraça", e imitou o jeito peculiarmente pobre e baiano da palavra: "dizzzngraaaça! vou picá-le a dizzzngraaaça!" ou "vou metên-le a dizzzngraaaça!". Essas expressões podem significar muitas coisas, mas o mais importante é o tom anasalado, dando ênfase à ira. Pra quem teve a sorte de nunca ter ouvido isso, é algo como o Psirico gritando: "Queeebra ordináááária", ou seja, uma desgraça.

Ame e dê vexame


Fui a pé até a academia de Pilates tentar chantagear a secretária a me arrumar um horário decente pra começar a malhar. Os únicos disponíveis são os do início da manhã e, sinceramente, eu prefiro estar dormindo nessa hora. Fiz minha avaliação na semana passada e ainda não consegui ir nenhum dia à aula. Essa história de que deus ajuda quem cedo madruga tá por fora. Alguém me diz por que todas as dondocas malham no horário depois das 9:00 e no período da tarde? Porque são ricas. Acordar cedo é coisa de pobre. Portanto, deus ajuda quem acorda tarde. Fui lá e falei que não conseguia acordar cedo e tal, coloquei o cheque em cima da mesa, disse que talvez desistisse de fazer Pilates e tudo mais. Não teve jeito, a secretária até que se esforçou, mas realmente não tinha jeito, cada turma tem somente 6 alunos. Ok, me conformei, ou começo a malhar ou vou me transformar no corcunda de Notre Dame.
Tomei meu rumo de volta pra casa, estava quase chegando no condomínio quando vi um casal de namorados muito jovens brigando em plena rua. Eram meio nerds, ele era o próprio Harry Potter, ela uma ursinha, gorducha e branquinha. Saíram de um casarão, que suponho ser a casa da menina e passaram correndo por mim, os dois choravam e ela implorava pra ele não ir. Não adiantou, o bundão começou a correr como se tivesse disputando os 100 metros rasos, aos prantos. A gordinha usava jeans stretch, sandálias de saltinho fino e blusa com uma fenda atrás. Quando ela corria o vento abria as duas bandas da blusa mostrando parte das costas, rechonchudinhas e branquinhas sacudindo feito gelatina. Ela ia atrás dele e, ao mesmo tempo, puxava as calças rego a dentro, pois pareciam cair. Na rua estavam algumas pessoas, a maioria eram seguranças e porteiros da vizinhança, todos assistindo o dramalhão e rindo. Eu juro que tentei ficar séria, mas Deus me deu maldade na alma suficiente pra achar aquilo muito engraçado, tive uma crise de riso. Senti até pena dela. Pena pelo seu desespero e por estar tão engraçada correndo. Se eu pudesse falava: não corre não menina, deixa esse babaca partir a mil. Mas minha vontade mesmo era de correr junto pra ver o desenrolar da história. Os dois sumiram no final da rua.
Cheguei em casa pensando no vexame e com que cara a gordinha iria voltar pra casa, tendo que passar por toda aquela galera de espectadores. Se eu fosse ela pegava um táxi e me abaixava no banco de trás, ou então me disfarçava de moita. Ai, ai, nada como uma vergonha alheia pra quebrar o tédio de uma tarde nublada.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vidente x 4 dentes


Eu me pergunto: será que uma pessoa que tem o poder de prever o futuro chegaria ao ponto de só ter 4 dentes na boca? No mínimo ela poderia adivinhar que se ela escovasse os dentes direitinho eles estariam todos até hoje presentes, não é?

domingo, 12 de julho de 2009

Trocando a macumba por uma viagem


Resolvi abortar a missão almoço no terreiro [tenho horror a azeite de dendê, me dá azia]. Fiquei pensando nassa história de vidente e lembrei que não acredito em nada disso. É muito fácil dizer que algumas coisas não dão certo na sua vida por inveja alheia. Inveja de quê? Fazer trabalho pra curar inveja dos outros? Gastar meu tempo e meu dinheiro com a suposta existência de um filho da puta cobiçador? Tô nem aí se tem invejoso me secando ou não. Se fode aí.

Vou pegar o dinheiro do despacho e vou comprar umas passagens aéreas e me despachar pra Búzios. Quanto aos invejosos, morram de inveja ok? Búzios, entenderam? B-ú-z-i-o-s.

sábado, 11 de julho de 2009

Ê Ê misifi!



Hoje fui com uma amiga paulistana e o boyfriend num terreiro de candomblé, aqui em Salvador mesmo. Ela queria se consultar com a mãe de santo e eu, aproveitando que estava lá, fiz uma consulta também. Ela jogou os búzios e já foi falando umas coisas sobre a minha vida, fiquei até assustada. Falou que sou briguenta, que brigo até comigo mesma. Que tenho que cuidar da cabeça pra não enlouquecer um dia, que constantemente tenho vontade de sumir do mapa, legal. Disse que meu orixá é Oxalá, sei lá, a véia demorou tanto tempo fazendo uns cálculos que nem sei se ela acertou. Cada terreiro me diz que tenho um santo diferente. Já fui de Iansã, Oxum... agora Oxalá, que é o pai de todos os orixás. Beleza. Eu sou o olho que tudo vê, ê ê misifi!


A véia com 4 dentes me convidou pra um almoço amanhã no terreiro e falou que tenho que fazer uns trabalhos pra abrir meus caminhos, que tem muita gente com inveja de mim, que onde eu vou existe um invejoso me secando, é mole?


Bom, acho que vou lá amanhã, gostei da brincadeira. Acho o ritual interessante e intrigante, me causa curiosidade. Mas vou levar uma máquina de calcular pra conferir com a 4 dentes se a conta que ela fez tá certa mesmo.


ÈPA BÀBÁ!!!


quinta-feira, 9 de julho de 2009

E o freakshow continua...


Essa semana esqueci de recarregar a bateria do meu mp4, resultado: fui pra Valença ouvindo música, mas voltei pra Salvador ouvindo o barulho do povão. A música além de alegrar deixa a gente menos conectada com o mundo ao redor, consequentemente menos irritada com a vida alheia.

No ferryboat fiquei observando a quantidade de gente feia. Putz! Ao meu lado estava a dona Baratinha e seu Ratão, do outro a Cuca, na frente um bando de cabeças sem pescoço com cabelos carcomidos de tanta química. E os calcanhares? Tudo rachado e saltando pra fora dos tamancos. Visão do inferno. Outra coisa que não entendo: por que pobre adora uma sacola? Existia uma proporção de 3 sacolas para cada pobre, em média.

No meio da multidão havia 2 caras totalmente diferentes. Altos, fortes, pele viçosa, roupas legais, mochilão nas costas. Eram franceses. Pareciam cães de raça no meio de um canil de vira-latas. Eu até acho que a mistura que resultou no brasileiro seja uma mistura legal, mas não sei que diabos deu errado aqui no nordeste [eu posso falar, sou nordestina]. Provavelmente os portugueses que vieram pra cá eram mais feios, mais mirrados, com cabeças chatas.

Fora isso ainda tinha um velho bêbado, metido a engraçado, falando alto [odeio gente que fala alto], e a Cuca, que toda hora me cutucava pra fazer algum comentário sobre a novela [tem tv no ferry], baiano adora conversar com desconhecidos. O pior que ainda era aquela desgraça de novela das sete, com aquela merda de macaco pintor.

Depois dessa nunca mais esqueço de recarregar meu mp4.

Homem bom é homem morto



Ontem, na clínica, o chefinho atendeu uma paciente feia pa-ra-ca-ra-lho. A fulana já chegou com cara de cu e perguntando: "Quando vou tirar esse aparelho? Meus amigos estão dizendo que estou com um vício feio no jeito de falar". Aí eu pensei: Minha filha você é feia, conforme-se. O chefinho é um cara legal e muito calmo, brincou com ela e falou que iria instalar o aparelho na arcada inferior. Ela implorou que não fizesse isso. Iria passar por uma cirurgia dentro de 15 dias e não queria sofrer mais. "Vou tirar uma glândula mamária a mais que tenho na axila", disse o baiacu. Caráio! Além de horrorosa, chata, tem um peito no sovaco! Vai ser monstra assim na puta que pariu!


Fiquei pensando qual seria a profissão perfeita, alguma que não tivese o ser-humano envolvido, cheguei à conclusão de que não existe. Uma vez, um veterinário que trabalha no zoológico de Salvador me disse que o bicho que dava mais trabalho era o público. Talvez trabalhar com doentes mentais seja melhor, porque são problemáticos declarados, é mais fácil que lidar com pessoas neuróticas que se acham normais. Aí eu percebi o quanto vacilei, deveria ter feito medicina legal. Já que tudo envolve o homem, que pelo menos ele esteja morto. É o cliente perfeito, não fala, não sente dor, não reclama e dá até pra gente dar umas sacaneadas, falar a real sem causar constrangimentos e nem possibilidade de ser processada, do tipo: Ê defunto feio! Esse vai pro inferno!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Coisas que me assustam



  1. Criancinhas,
  2. Indumentárias sinistras dos judeus ortodoxos,
  3. Maria Rita e sua dança oligofrênica,
  4. Dani Carlos, o espantalho cantante,
  5. celulite no braço, principalmente se for no meu braço,
  6. a lingua do senador Heráclito Fortes e ele como um todo,
  7. Wanda Chase, repórter e alienígena,
  8. o ego da Susana Vieira.

PS: Eu estou com celulite nos braços.

domingo, 5 de julho de 2009

Untitled


Ontem fui na festa de aniversário da filha de Elaine. Ela mora em Dias D'ávila, uma cidade da região metropolitana de Salvador. O motorista veio me buscar em casa num carro de luxo, só que chegou meia hora antes do combinado e teve que aguardar um pouco até eu ficar pronta. João, o nome dele, um sujeito simpático e comunicativo. Fomos conversando durante o trajeto de mais ou menos uma hora. Falei que nunca tinha estado naquela cidade, mas que já tinha trabalhado em Candeias [adoro falar mal daquela bosta]. Seu João falou: "Ave Maria! Aquilo é terra de índio, até a igreja de lá fica de costas pra cidade". Eu nem sabia disso [não que índio seja ruim e que igreja seja coisa boa], mas achei graça.
Antes de chegar ao destino final passamos pelo Polo Petroquímico de Camaçari. Fiquei impressionda, me senti num filme de ficção científica. Fábricas monumentais funcionando 24 horas por dia, chaminés enormes e muita poluição. Rola uma camuflagem em torno das indústrias, muitas árvores altas nas fachadas pra tentar esconder a feiura das fábricas, porém o fedor não tem como disfarçar, tem um cheiro de comida podre no ar. E o nome das ruas? Rua Benzeno, rua do Plástico, do Polímero, via do Cobre. Assustador.

Dias D'ávila até que é uma cidade simpática, muito arborizada, com muitas chácaras. O aniversário foi lindo, minha "sobrinha" estava feliz da vida e, como de costume, comi mais do que deveria.

No final da festa Seu João me trouxe de volta pra casa e pude ver, mais uma vez, as fábricas funcionando, só que dessa vez com muitas luzes acesas e fumaças incandescentes contrastando com o céu escuro, sinistro. Fiquei feliz em chegar em casa, sentir o cheiro do mar e ler "rua das Flores".

sábado, 4 de julho de 2009

Tin huan premier disaineer?

Agora que estou quite com o Banco pude resgatar aquela palhaçada de título de capitalização [não sei onde estava com a cabeça quando fiz aquilo]. Liguei pra central de resgate de títulos e fui tão bem atendida! Impressionante a educação e a simpatia do funcionário. Tentou me oferecer vantagens para que continuasse com o TC, baixou o valor e ofereceu mais números pra aumentar minhas chances nos sorteios. "Não obrigada, não tenho interesse." Ele, educadamente, não insistiu, foi um verdadeiro gentleman. "Tenha um bom dia, uma excelente tarde, um bom Natal e uma vida cheia de paz, alegria e prosperidade dona Ana".

Eu, que fui do céu ao inferno, de cliente premier a filha da puta devedora, conheço bem esses sujeitos que trabalham nessas instituições. O RH deve fazer a seleção de emprego da seguinte forma: os de voz suave e com nível alto de educação vão para o setor de fidelização de clientes e investidores. Os infelizes, cornos, mal-educados, mal-amados e ressentidos vão para o setor de cobrança.

Tô ligada na deles. Simpatia de cu é rôla.

Zen total


Gente, ando tão zen que não tenho nem assunto mais pra escrever. Além de ter todas as dívidas pagas com a ajuda da santa Elaine, tem o fato de eu ter me livrado daquela desgraça chamada Candeias. Mas o estado de graça acho que consegui tomando uma pílula para TPM e um remedinho ótimo para dormir chamado Rivotril [que tem me proporcionado sonhos maravilhosos]. Ando sonhando que possuo mansões e ilhas particulares com iates luxuosos. Outro dia sonhei que morava numa casa gigantesca com muitos criados, onde rolava uma festa, e um dos convidados era o Gilberto Gil. Ontem sonhei que estava em Berlim, passeando. Como podem perceber, vida luxuosa, viagens internacionais e entretenimento de qualidade só em sonho, por enquanto.

Acho até que vou escrever um livro de auto-ajuda chamado: Como alcançar a plenitude através do Deus Clonazepan e da Deusa Yaz. Talvez mude até o nome do blog para " Vou buscar o Buda e a tarja-preta".

Tenham todos um ótimo final de semana e vibremos o om.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vingança


Agora que paguei a dívida com o cartão de crédito, tô só esperando o dia em que eles me ligarem com toda simpatia do mundo oferecendo um novo cartão. É, porque esses filhos da puta são assim, adoram um cliente descontrol, devem ter minha ficha lá: comprou 5 pares de sapato em um mês, pagava a tarifa mínima frequentemente até que se ferrou toda e mandou o advogado à merda [vamos falar sério, vocês acham que aquele ser que se diz ADEVOGADO, do setor de cobranças é advogado mesmo? Duvido, deve ser um operador de telemarketing ferrado, ou no máximo alguém que fez direito numa faculdade à distância de merda e nem conseguiu passar na prova da OAB. Pra ficar que nem um corno ligando o dia inteiro pra casa dos outros pra cobrar? Duvido].

Então, quando eles me ligarem com proposta de fazer o cartão vou dizer:

Olha, não é por nada não mas, não me liga não tá? Eu odeio esse cartão, é cartão de pobre. Eu odeio vocês, seres insignificantes e, outra coisa, enfia sua simpatia no centro do seu coccix. Tenha um bom dia.

Hoje acordei meio totalitarista


Acordei sem paciência para mínimos detalhes da vasta personalidade humana. Como não posso exterminar os podres da humanidade resolvi que vou, a partir de agora, promover uma segregação intelectual. Os burros não me interessam, a não ser que possam me dar algum lucro financeiro.
Então, vocês com QI inferior a 110, chicleteiros, iveteiros e similares, vocês que lêem Paulo Coelho, Sabrina, livros de auto-ajuda, assistem a dança dos famosos, ouvem Victor e Léo, votaram no Lula, acreditam no PT e cometem erros ortográficos grosseiros não me dirijam a palavra, estamos combinados assim?

Olha como sou feliz!


Depois que o orkut foi invadido por brasileiros pobres eu resolvi cometer orkuticídio, sou como o deputado Justo Veríssimo, tenho horror a pobre. Porém lá no dossiê do google consta que sou uma pessoa viciada em internet e meu orkut não deleta nem com reza forte. Deixei ele meio que inativo, sem fotos, só com os amigos mais chegados e migrei pro facebook, outra merda. Mas viciado é viciado, tenho que dar uma checada na vida alheia de vez em quando pra me atualizar.
Uma coisa que me deixa puta, de saco cheio, mal-humorada são as malditas frases do dia. Caraio maluco! Todo mundo feliz! [Bom dia sol! Fazer o bem sem olhar a quem! A vida é bela! Deus ajuda quem cedo madruga!] E por aí vai. O grande clichê da alegria eterna. Tipo, tá vendo como eu sou feliz? Tudo bem que isso é um motivo banal pra eu perder meu tempo me irritando, mas essa necessidade de demonstrar felicidade como se a vida fosse uma grande revista Caras me deixa indignada e achando, cada vez mais, o ser humano uma verdadeira besta.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dinheiro, o segredo de quem não tem


Esses últimos dias que passei em Valença achei na estante da irmã do chefinho um livro chamado “Dinheiro, o segredo de quem tem” e fiquei curiosa. Não suporto esse tipo de livro que promete milagres e felicidade ao alcance de todos, mas não resisti e resolvi dar uma folheada [vai que essa merda funciona?]
Logo de cara tem um teste pra detectar qual seu problema financeiro, em que tipo de pobre você se encaixa. Bom, eu fiquei na pior posição, sou, segundo o autor, o pobre que pensa como pobre, praticamente um mendigo. Isso porque eu assinalei que torraria a maior grana se ganhasse uma bolada de uma só vez, que odeio investimento de risco, que não tenho paciência pra lidar com números e que odeio pechinchar. Eu discordei completamente do teste, é justamente por pensar como rica que saí gastando o que não podia e me encalacrei toda no cartão de crédito e no cheque especial.

Ele deu um exemplo que achei hilário. Se você colocar 50 reais na poupança e deixar lá esquecido por 70 anos, você terá acumulado 1 milhão de reais. Beleza, pra desfrutar dessa grana tem que torcer pra viver muito, praticamente ser o Matuzalem. No meu caso se eu investisse essa quantia agora teria que viver mais de 100 anos. Tudo bem, minha avó Dedé viveu até os 102, mas tinha Alzheimer. O que fazer com 1 milhão de reais aos 102 anos e com Alzheimer? No mínimo iria rasgar o dinheiro.

Outra dica que achei ridícula foi de como entrar numa loja para comprar algo. Nunca demonstre interesse pelo objeto do desejo, faça aquela cara de bunda de quem comeu e não gostou, peça uma cor que não tenha, ou seja, dificulte a venda pra depois pedir um bom desconto. Tomanocu! Nunca faria esse papel de filho da puta. Quer comprar compra, não quer vai embora, agora ficar representando? Sem condições. Acho a avareza disgusting, cafona, vergonhosa e lamentável.

Se ser rico é se privar a vida inteira pensando numa velhice confortável eu prefiro ser pobre mesmo. Sou mais o Jorginho Guinle, queimou sua fortuna até a última ponta, se divertiu horrores, pegou a Ava Gardner e morreu phyno no Copacabana Palace. Isso sim é ser rico e pensar como rico.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

sobre pés e sapatos


Desde criança eu tinha fixação por pés. Lembro de uma vez que fui com minha mãe visitar umas tias-avós, eu devia ter uns 5 anos, ficava olhando os pés delas como se eles tivessem olhos, e o pior, eles me olhavam com cumplicidade. Alguns até riam pra mim. Era como se eu fosse capaz de saber detalhes da personalidade das pessoas através dos seus pés. Estranho isso.
Já desencanei de um cara que achava interessante só por causa do sapato dele, parecia aqueles sapatos de uniforme de porteiro, uma lástima.

Ontem no ferryboat, voltando pra Salvador reparei no sapato de uma mulher sentada na minha frente. Puta merda, foi o sapato mais feio que já vi em toda minha vida. A criatura que criou aquele monstro merecia a cadeira elétrica. Era uma espécie de bota de cano curto, de camurça vermelha com uma abertura na frente [deixando os dedinhos livres, dependurados para fora], cadarço e salto plataforma bicolor [cor de madeira e vermelho], captaram?

Do meu lado tinha uma outra criatura com os pés pra cima, uma coisa horrorosa. O dedo médio, que nas mãos são os mais longos, no caso dos pés dela eram também maiores que os outros dedos, como se ela tivesse dando um fuck off permanente com os pés.

Tudo bem que a pessoa não tem culpa de ter pés feios, mas sapato dá pra escolher, poxa.

sábado, 6 de junho de 2009

Budapeste - o filme


Fui cheia de expectativa assistir o filme Budapeste. Escolhi o cinema do Shopping Iguatemi por ser mais perto de casa, mas odeio ir lá, sempre cheio de gente barulhenta com seus sacos de 5 kg de pipoca numa mão e um copo de 2 litros de refrigerante na outra. Tudo bem, o importante era ver o filme, que pelo gênero não deveria ter adolescentes, e isso já aliviaria bastante a bagunça.

Consegui uma cadeira bem localizada, no meio e sem nenhum cabeçudo na minha frente. Porém, eis que vejo uma mulher com um bando de adolescentes se acomodando exatamente atrás de mim. Ouvi ela dizer para a amiga que agora trabalhava em Candeias.

Fo-deu. Aquilo era um mau presságio de que a sessão não seria nada agradável. A mulher trabalhava em Candeias... Puta merda.
Apagaram-se as luzes, passaram-se os traillers e a criatura de Candeias tava lá, firme e forte no seu monólogo. Pra piorar a situação começou a chutar minha poltrona e como se não bastasse, seu celular tocou no meio do filme. Ok, o filme é uma bosta. O Walter Carvalho cagou com o livro do Chico. Passou do tempo de terminar e ainda tinha filme rolando. Os adolescentes inquietos, reclamavam que deveriam ter ido assistir Anjos e Demônios com Tom Hanks e eu só queria sair daquela sala as soon as possible.

Agora entendi porque a Giovanna Antonelli fazia parte do elenco.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Elaine


Elaine era uma menina de 14 anos quando a conheci. Vinda do interior da Bahia, mulata, órfã e magricela, trabalhava desde criança. Era empregada doméstica na casa de um ex-namorado meu [Ricardo]. Andava assustada pelos cantos da casa vestida num uniforme maior que seu número e com os cabelos desgrenhados.

Eu tinha uns 20 anos quando a conheci. A pobre pegava pesado no batente. Tinha uma patroa pra lá de filha da puta. Minha ex-sogra tinha TOC e mania de limpeza. Era completamente desequilibrada, dona Laura, aliás, Laura é nome de mulher maluca. Naquela época eu dormia 2 dias na semana na casa de Ricardo. Minhas aulas acabavam tarde e ele morava perto da minha faculdade.

Eu sentia carinho e vontade de ajudar Elaine, ficava passada com os maus tratos que ela sofria. Sempre que eu estava lá, a chamava pra assistir TV comigo, fomos ficando amigas. Dava aula de português pra ela, pois mal sabia assinar o nome. Depois passei a cortar e fazer permanente afro em seus cabelos pra melhorar sua auto-estima. Dona Laura achava isso muito estranho.

O namoro acabou e fiquei um tempo sem ver Elaine. Mas ela não me esquecia, virava e mexia aparecia na minha casa de surpresa, com alguma novidade. Colocara dona Laura na justiça do trabalho. Bem feito.

Anos depois apareceu com mega-Hair e toda fashion. Tinha ido trabalhar na Áustria, sambando pra gringo ver.

Depois apareceu grávida, sem ter pra onde ir. O pai da criança negava a paternidade. Levei Elaine pra casa e dei um emprego temporário no consultório [pois eu já tinha uma funcionária contratada] até a criança nascer. Nasceu uma menina e ela deu o nome de Ana Clara [Ana pra me homenagear]. Queria que eu fosse madrinha, mas eu nunca tive saco pra esses rituais católicos e falei que isso não era importante.

Elaine foi se virando, arranjou emprego e comprou uma casinha no interior. Os anos passavam e Elaine surgia de vez em quando com um presentinho pra mim. Ela aparecia sempre sem avisar, eu nunca tinha nada pra oferecer, só aceitava o presente, colocávamos o assunto em dia e lá ia ela, até qualquer dia.

Não vejo Elaine há uns 4 anos e essa semana pensei muito nela, queria que ela entrasse em contato. No dia seguinte tive a notícia que ela estivera me procurando no endereço do antigo consultório. À tarde recebo um telefonema, era Elaine, disse que tinha perdido meu telefone mas que agora já tinha achado o meu rastro.
Elaine agora é empresária, trabalha com alguma coisa ligada ao Pólo Industrial Petroquímico, Ana Clara tem 8 anos e ela, aos 30, ganhou seu primeiro milhão.
Pasmem!

Elaine pediu o número da minha conta bancária e disse que queria me dar um presente, que era surpresa, que eu era muito importante pra ela e que no dia seguinte eu fosse tirar um extrato.
Fiquei sem ação, feliz por ela, sem jeito com a oferta, mas aceitei. Ô! Né não? Meu pai ainda cogitou a possibilidade dela estar louca e ser tudo uma alucinação.
Fiquei com insônia, tomei 2 comprimidos de olcadyl e rolei na cama fazendo uma retrospectiva das nossas vidas.

No dia seguinte, na hora marcada, estava lá, uma generosa quantia na minha conta.
Domingo ela e Ana Clara vêm me visitar.
Ela vem com o motorista, pois ainda não sabe dirigir.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Olá, como vai?


Daqui a pouco vou num evento social da high society. É, eu sou pobre mas sou limpinha. Estou aqui me concentrando para encarnar a Audrey Hepbourn, vou até fazer um coque. Sei que vou acabar bebendo, mas com fé em santa Jacque Kennedy irei me comportar. Quero fazer o tipo phyna, sabe? Sem opiniões políticas. Sem exaltações e com poucas emoções. Fria e indiferente. Blasé. Nada de falar sobre cotas raciais, futebol, palavrões, Coréia, ou coisa parecida. Não posso perder a linha e passar mais uma semana querendo sumir do mapa.

Sempre me lembro da música do Gil "O Rock do Segurança", sou eu ao contrário. Mas com a mesma finalidade, se é que me entendem.

Agora vou me arrumar, treinar no espelho um meio sorriso e um "Olá, como vai?".


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Se fode aí.


Sempre que bebo tenho uma ressaca moral pavorosa no dia seguinte. Fico com sentimentos auto-destrutivos, me odiando, porque sempre falo e faço coisas que não deveria. Viro a rainha dos constrangimentos. Uma vez fui numa festa de aniversário e uma das filhas Paty de um deputado estava presente. Não deu outra: mandei ver, meu assunto preferido era corrupção, regalias, passagens aéreas e outras peripércias políticas. Constrangimento geral. A última foi no aniversário do boyfriend, falei mal do dono da rádio que ele trabalha. Falei que o sacana tinha demitido uns 20 funcionários alegando crise financeira mas tava na Europa, curtindo numa boa.

Aí no dia seguinte tive que ouvir que preciso me controlar, beber menos e tal. Fico me culpando, querendo fazer uma lobotomia pra mudar de personalidade e de humor. Deleto orkut, facebook, amaldiçoo o blog... Depois passa, tomo um ansiolítico, faço uma listinha no meu caderno terapêutico com coisas que tenho que mudar [tipo, ter uma alimentação saudável, malhar, etc]. Não mudo nunca, mas me engano por um tempo.

Com essa lista cheguei mais uma vez à conclusão de que preciso urgentemente ser melhor remunerada. Como? Estudando e me tornando A ortodontista ou ganhando na mega-sena.

Hoje arrumei meu quarto. Minha escrivaninha, que era habitada por porta-retratos, vaso de planta e outras bugigangas inúteis, está totalmente livre. Estão lá: o super-livro do Proffit [Ortodontia Contemporânea], um caderno e canetas me chamando para o estudo. Eu estou aqui olhando para eles e pensando: se eu ganhasse na mega-sena, jogava a merda no ventilador, mandava meio mundo se foder e iria causar muito, mas muuuuuito constrangimento.

Na Bahia, nem japonês funciona.


Ontem mandei emails solicitando cotação de preços de materias odontológicos para 3 lojas especializadas: 2 ficam em São Paulo e 1 em Salvador mesmo. Quando mandei a correspondência já passavam das 8 horas da noite, provavelmente fora do horário do expediente. Hoje de manhã, antes das 10 horas fui checar se havia alguma resposta para meus pedidos. Adivinhem! As lojas de São Paulo haviam respondido, a de Salvador, nem sinal de vida.

Resolvi olhar os nomes dos vendedores, ambos os paulistas tinham sobrenomes japas. Aí lembrei de uma história que meu pai havia me contado. Ele tinha um colega de trabalho nascido em São Paulo e filho de japoneses, o Onishi, que viera trabalhar em Salvador. Vivia indignado com os serviços soteropolitanos, não aguentou o ritmo da cidade e voltou para sua terra natal alegando que aqui na Bahia nem os Japoneses funcionavam.

Bom, não fui eu quem disse isso.
P.S.: Ele está de prova.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Quero ser Amélie Poulain (ela é tão boazinha)


Tenho que colocar na minha cabeça de uma vez por todas que:

1- Não posso beber,

2- se beber não posso falar o que penso,

3- falar de política e de religião está terminantemente proibido em festas, principalmente se houver tequila.

4-tenho que guardar minhas ideias e opiniões somente para mim.

Cansei de ser uma personagem do Almodóvar. Quero ser como a Amélie Poulain, conheço um monte delas, são tão meigas e felizes, preocupadas apenas com suas fadas e anões de jardim...

A vida é bela, eu amo todo mundo, o dia está tão lindo, Deus é maravilhoso, pensamento positivo atrai coisas boas e eu acredito em Duendes. É isso.

sábado, 23 de maio de 2009

Adios Faixa de Gaza!


Hoje faz exatamente 1 ano que comecei a trabalhar em Candeias e escolhi coincidentemente esta data para dar um fim nesse sofimento. Agora que a ortodontia começou a abrir os meus caminhos, resolvi fechar a porta da catacumba e dar o fora daquela desgraça antes que o Diabo suba e resolva governá-la pessoalmente.

Cheguei na clínica tarde com o foda-se ligado nas alturas, dei bom dia e informei que não iria mais trabalhar naquela joça pois começaria um novo emprego bem longe dali, perto do Japão, praticamente. Todos entenderam e lamentaram, gostavam tanto de mim... Que pena.

Meio-dia eu já estava no ônibus da viação Jauá pronta pra dar as costas para Faixa de Gaza para todo o sempre e nunca mais voltar. Não quero ver aquilo nem por foto, nem pela TV, nem pelo Google Earth e em nenhuma outra condição ou hipótese.

Obviamente o último dia no inferno não poderia ser diferente de todos os 300 que passei lá. A única novidade é que o comércio acrescentou música indiana na sua poluição sonora, uma beleza! Era um mix de Aviões do Forró com Calcinha Preta e trilha da novela das 8, tudo ao mesmo tempo.

O ônibus estava cheio e ao meu lado estava um senhor esticado de lifting tentando disfarçar a feiúra e a chegada da velhice, porém esquecera-se de cuidar da alma, pois essa estava podre. A criatura tinha um mau-hálito tridimensional, de personalidade forte e ambiciosa. Não se contentava em ficar só dentro da boca, se externava fazendo parte da áura do seu dono. Foram os 45 minutos mais longos da minha vida. O pior era que o esticadinho estava com sono e bocejava por instante. A cada bocejo eu estremecia e amaldiçoava aquele cheiro de intestino grosso filho da puta.

Do outro lado, em pé no corredor, havia uma jovem metida a fashion, a visão do inferno ajeitadinha à moda Renner, ou coisa parecida. Tinha uma super bolsa de couro sintético vagabundo que, a cada curva, tirava um raspão da minha cabeça. Antes que eu fosse golpeada cutuquei a mocinha e pedi para que ela chegasse mais pra frente. Depois me toquei que falei gritando pois meu mp4 estava no volume máximo, mas gritar fazia parte do contexto.

A menina era esforçada, guardou sua sacola mas continuou me incomodando pois encostara sua bunda magra e ossuda na minha poltrona e sempre que perdia o equilíbrio sentava no meu ombro. Procurei na minha bolsa algum objeto perfurocortante pra mirar nela, caso esbarrasse em mim novamente, mas não achei. Não tinha nem uma simples tesoura.

Contudo, eu levava comigo uma leve alegria, uma sensação de liberdade e de que era a última vez que estava passando por aquela situação.

Deixo aqui minha singela despedida: Candeias até nunca, jamais, giammai, niemals, jamás, ποτέ, أبدا, nooit, никогда, aldrig, never more. E morra!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Uma noite de cão


A irmã do chefinho de Valença viajou pra São Paulo e pediu pra que eu e Carol [a dentista que trabalha com ela] dormíssemos na sua casa para dar uma olhada em seus cachorros [Eros, um Dachshoud velhinho e Lola uma Labrador filhote enlouquecida]. Chegamos na casa à noite, depois de um dia cansativo pela viagem e pelo expediente na clínica. Tudo que queríamos era um bom banho, janta e cama. O problema foi a cama. Eros gosta de dormir com a dona, eu não durmo na mesma cama com um canino nem que a vaca tussa. Lola gosta de circular pela casa durante a madrugada, latindo, cagando, pulando e infernizando.

Decidimos que Lola dormiria do lado de fora e Eros dentro de casa, numa almofadinha, porém os cães não concordaram com nossas decisões. Eros começou a encher o saco querendo subir na cama, Lola latia sem parar querendo entrar em casa. Carol dormiu feito uma pedra em questão de segundos e eu, acabara de perceber que tinha me ferrado, com meu sono problemático lutava sozinha tentando colocar ordem no canil.
Achei um pacote de petiscos para cachorros, ossos com aroma barbecue. Dei um pra cada. Parecia que tinha resolvido o problema. Deitei de novo e um grilo começou a cantar dentro do quarto, tentei tapar os ouvidos com o travesseiro sem resultado. Acendi a luz, o grilo calou-se. Eros pedia pra sair, abri a porta, liberei Eros. Depois de alguns minutos Eros começou a gritar, era Lola espancando o idoso com suas brincadeiras pesadas. Coloquei Eros para dentro novamente e apelei pros ossinhos, dei 2 pra cada. Deitei com esperanças de conseguir dormir quando ouvi outro latido que não era nem de Eros nem de Lola. Era Barney, o Boxer do chefinho, que mora no mesmo terreno. Ele também queria um lanche. Peguei o saco inteiro e saí distribuindo quitutes numa quantidade suficiente para que as belezinhas se ocupassem até o dia amanhecer e que eu pudesse ter paz, porque nessa brincadeira já tinha se passado 2 horas. Tinha me passado pela cabeça dar um pedacinho de Olcadyl, um remedinho tarja preta, pra cada um, mas desisti.

Voltei para cama o grilo voltara a cantar. Levantei com a lanterna do celular e fui seguindo o som até achar o danado atrás de um pufe. Esmaguei o miserável com um só golpe de sandália [vai cantar no inferno, merda].

Finalmente deitei na cama, exausta. Silêncio total. Aí me toquei que o grilo estava calado, sem vida. Perdi o sono.

domingo, 17 de maio de 2009

Gastronomia minimalista soteropolitana


Fico indignada com a safadeza de muitas lanchonetes e restaurantes de Salvador. Ontem almocei num restaurante chinês no Shopping Barra. Escolhi comer um rolinho primavera de camarão com catupiry. Aqui qualquer gororoba de cor branca se chama catupiry, pode ser mingau de maizena, goma, cola, vaselina... contanto que tenha a textura de gosma, seja esbranquiçada e insípida. O rolinho não fugiu à regra, tinha 1 camarão e 100 gramas de eca no recheio. Por que não escrevem no cardápio "recheio de molho da casa"? Acham que não conhecemos catupiry de verdade? Para economizar, as lanchonetes fazem misto quente utilizando 1 fatia translúcida de queijo e outra de apresuntado no lugar de presunto, e usam margarina no lugar de manteiga, muito diferente disso aqui.


Tem uma casa de lanches metida a besta, localizada em bairro nobre, que é expert em fazer isso. Eu costumava tomar café lá, trabalhava perto, e certa vez tive que chamar o gerente para questionar onde estava o presunto do tal sanduíche. O pior é que nem ele sabia a diferença entre presunto e apresuntado. Reclamar era inútil.


Nunca esqueço de um restaurante a quilo, também localizado em bairro "chique", em que comi panqueca de panqueca, conhecem? A receita é a seguinte: um filete milimétrico de carne moída enrolada numa massa quilométrica, fazendo com que a panqueca dê mil voltas em torno do próprio eixo até que o recheio desapareça por completo.


É lamentável que a ganancia e a burrice dos proprietários desses estabelecimentos, bem localizados e com preços nada populares, sirvam comida de quinta categoria na base da enganação e da esperteza. Provavelmente se acham bons administradores.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

A maldade é hereditária


Minha mãe veio me contar que tia Diva tem um jeito especial de conseguir as coisas, ela tem uma imagem de uma Pomba Gira que é bastante obediente, tudo que ela pede a danada atende sem fazer corpo mole. Meu primo, filho de tia Diva, é neurocirurgião em Fortaleza e queria fazer um curso de cirurgia para mal de Parkinson em São Paulo. Parece [segundo minha mãe] que o supervisor não liberou seu afastamento do hospital em que trabalha para que ele fizesse a viagem. Titia prontamente chorou no pé da cabocla e o homem foi demitido. Resultado: meu primo conseguiu a liberação e fez o curso. Ouvi dizer que tia Diva ía pedir pra Pomba Gira que matasse o sujeito, mas minha prima bondosa interviu e falou: Não mãe! Morte não!

Jane, pede a tia Diva que me envie uma "santa" dessa via sedex?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

When she says hello to the world...


Desde que o alienista me disse que sou normal e que preciso fazer uma dosagem de hormônios para tratar a TPM tento acalmar meus ânimos mentalizando que não sou maluca, porém esses últimos dias meu pico de mau-humor passou dos limites e resolvi tomar uma atitude. Não procurei um médico, a final sou quase médica e quase louca. Meu amigo Dr. google me mostrou um novo medicamento para a síndrome disfórica pré menstrual e resolvi testá-lo.

Muito bem, hoje voltando de Valença senti uma alegria inexplicável, do nada, pra cada música que ouvia no meu MP4 eu fazia um clip feliz na minha mente. Foram duas horas de felicidade plena no busão até chegar em Bom Despacho e pegar o Ferry Boat.

Enquanto entrava no Ferry nem tive vontade de matar um gordo que se arrastava feito lesma na minha frente, também não quis atirar no mar uma garotinha chata e mimada que chorava sem parar. Juro que não pensei em esganar uma furinga metida a dondoca, sentada ao meu lado, que se esgoelava sem nenhuma classe no seu iphone, e nem me passou pela cabeça dar um murro no meio das fuças de um filho da puta que chutava a minha poltrona. Estou realmente muito calma. Inclusive amanhã é dia de Faixa de Gaza, preciso providenciar com urgência toneladas de dinamite pra explodir aquela cidade antes que ela acabe com meu bom-humor.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Como exterminar uma celebridade


Primeiro passo: inscreva-se numa promoção de margarina e junte as tampas.

Segundo passo: envie-as pelo correio e reze para ser sorteado.

Terceiro passo: caso seja sorteado escolha a celebridade mais escrota, neste caso as opções são o Luigi Barricelli, o Daniel e o Henry Castelli.

Eu escolhi o Daniel.

Quarto passo: quando a celebridade chegar na sua casa deixe-a entrar como se você fosse um grande fã. Quando ela estiver à vontade tranca tudo, rende a criatura, leva pra um quarto fechado e então começa a sessão de tortura. Voadora, chute na barriga, chute na cara, chute na cara de novo. Pula em cima. No caso do Daniel o objetivo é inutilizar sua vida de cantor para todo o sempre e deixar aquela cabeça dele ainda maior, sua única opção de emprego será como mini-boneco de Olinda.

PS: O Pedro Bial, o Fausto Silva e a Suzana Vieira, o Galvão Bueno, a Ana Maria Braga e sub-celebridades do BBB aguardam novas técnicas de extermínio. Estão abertas as sugestões.

domingo, 10 de maio de 2009

Back to the future


Estava eu, minha TPM, o boyfriend, uma amiga e um amigo do boyfriend [que viera de São Paulo através da faculdade de arquitetura conhecer Salvador] no Rio Vermelho. Noite de muita chuva, fomos para um bar, frequentado por publicitários decadentes, entreter. Inicialmente tudo me irritava inclusive o sotaque de corinthiano e a quantidade de "meu" dita por frase pelo rapaz. Depois de 1 chope e 2 gin tônicas já estava mais à vontade, mais sociável e simpatizando bastante com o mano. Saímos do bar e fomos para o Largo de Santana, também no Rio Vermelho já que a chuva havia estiado. Coisas curiosas estavam acontecendo, pensei que fosse efeito do álcool associado aos baixíssimos níveis de Estrogênio e Progesterona, pois tive a sensação de ter entrado no túnel do tempo de volta aos anos 80. Muitas meninas desfilavam com modelitos daquela época, uma boa quantidade usava óculos Wayfare. Como se não bastasse tive a nítida impressão de ver o Kid Vinil comendo acarajé. Será? Ele chegou perto e constatei: era o próprio. Perguntei desinibida "Você não é o Kid Vinil? Tá perdido em Salvador?" Ele disse que faria um show num bar temático dos anos 80 e que era a primeira vez que comia um acarajé na vida.

Enquanto o ex-office boy se deliciava com o quitute baiano e me perguntava a diferença entre acarajé e abará, ao seu lado, um fã de casaco adidas e pochete também vindos do túnel do tempo, fazia perguntas e adivinhações sobre a época para o cantor, uma espécie de quiz. Cantava trecho da música de abertura do Rock'n Rio e discutia a filosofia do Ultrage a Rigor, enfim, era o próprio Almanaque Anos 80. Muito estranho.

Depois de mais algumas cervejas, um pequeno desentendimento com o garçom e a desagradável notícia de que haveria uma apresentação de clowns resolvemos encerrar a noite. Entramos no Plunct Plact Zum e voltamos para o futuro antes que o Fofão, o Bozo, o Falcon, o Ritchie ou o Kiko Zambianchi resolvessem aparecer.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vacaciones


Depois que cobri meu prato de comida do almoço com a tampa do lixo, pisei na mesma merda do cachorro por duas vezes seguidas e liguei do meu celular pra mim mesma cheguei à conclusão que preciso de férias.

That's all.

sábado, 2 de maio de 2009

Ato Institucional


Toda vez que vou para Candeias volto com sentimentos nada humanitários e com idéias Totalitaristas. Hoje atendi uma feia que era a cara do Oswaldo Montenegro, olhinhos juntos, face longa e chata de doer. A única diferença era a barba, a dela não tinha pelos brancos. Sério, aquela cidade é prejudicial à saúde. Na rodoviária tinha um crente fanático importunando as pessoas com suas pregações. Por isso ando sempre munida do meu mp4. O maluco chegava perto de mim gritando passagens da Bíblia e eu comprimia os fones nos ouvidos pra não me irritar mais e não mandar ele pro quinto dos infernos, se bem que o inferno já era ali. Entrei no ônibus e fui pensando em algumas medidas importantes que me fariam muito feliz.

Em primeiro lugar mandaria passar um rolo compressor naquela cidade de merda, transformaria tudo num grande estacionamento. Depois construiria um circo e as atrações seriam os cidadãos candeienses que sobrevivessem ao massacre. Teriam vária Mongas [mulheres-gorilas] e mulheres barbadas. Os malucos, ladrões [incluindo os vereadores] e a prefeita ficariam presos numa jaula. A população dançaria arrocha 24 horas por dia até morrer de tanto sacudir o feofó, os ciganos [aquele pessoalzinho não chegado a um banho e preguiçoso] seriam responsáveis pela limpeza da área. Colocaria todos os moto-boys no globo da morte e os locutores dos carros de som teriam que engolir o megafone, pelo menos um por dia. Construiria uma cerca elétrica para impedir a fuga da população, trancaria o portão e jogaria a chave fora. Ah! Antes de sair faria uma participação especial arremessando facas em algum voluntário da platéia.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sobre moda e beleza



Bom, como uma ex-vaidosa ao extremo e pós graduada em Criação de Imagem para Moda venho aqui deixar umas dicas sobre beauty and fashion.

Abandonem o salto alto [faz mal à coluna, e se você é baixinha, não se iluda, nunca deixará de ser, no máximo será uma nanica de salto alto].
Mandem a Kérastase, Lancôme, MAC, Clinique, Keune e Givenchy pra casa do caraio. Dá no mesmo que usar, Palmolive, AVON, Colorama, leite de aveia Davene, te juro, é o mesmo efeito, muito mais econômico e os homens não percebem a diferença.
Digam sim às pantufas e túnicas. No verão, túnicas leves e sandálias Havaianas, no inverno, capas de chuva e galochas. Burca nos casos em que a incógnita seja necessária. Conforto e bem-estar acima de tudo!

Pensamento do dia: A moda é efêmera, a beleza também. Mais feios que rugas, papadas e flacidez são: a aflição de espírito, o rosto botulínico sem expressão, a boca rígida de silicone, as bochechas duras à moda Fofão, a fimose naso-labial causada pelos preenchimentos com Restylane e os olhos repuxados por lifting.

Ser uma Barbie idosa não fica bem nem para a Vera Fischer.
Tenham todos uma boa semana.

domingo, 26 de abril de 2009

Anti-social Club Band


Eu desisto de ter alguma vida social em Salvador, juro, eu desisto. Ontem fui na Jam Session do MAM que rola todos os sábados há muitos anos. O lugar é lindo, um solar de frente pra Baía de Todos os Santos, boa música, bem frequentado, mas essa onda eclética de misturar Baião com Folkstrot, Beethoven com Tiririca, Andrea Bocelli com Ivete Sangalo, fode com tudo. Fui ouvir Jazz e encontrei um repentista dando uma palhinha com Gershwin ao fundo. Nada a ver, fusão cultural é o cacete! Tomei uma caipirinha e me mandei assim que alguns conhecidos de conhecidos começaram a querer socializar.

Eu, o boyfriend e a professora de Yoga, resolvemos comer num mexicano. Pensei no Cien Fuegos, o melhor de Salvador, ela sugeriu um outro por ser mais barato. Ok, nada contra economia, mas fui com o pé atrás.

Chegamos lá e já tivemos a desagradável surpresa em saber que haveria som ao vivo. Do lado de dentro do restaurante seria cobrado 5 reais por pessoa pelo couvert artístico, na varanda também, e na calçada, junto aos carros, cachorros e mendigos, 5 por mesa. Optamos o lado de dentro por ter ar-condicionado e com a esperança da música não ser tão ruim assim. Fizemos o pedido e a banda começou a tocar, percebemos que existiam duas caixas de som ao nosso lado, daquelas bem vagabundas de computador 286 com chiado. E a música? Pula essa parte. Levantamos correndo e rapidamente resolvemos sentar na mesa da rua, a companhia dos ladrões e mendigos nos parecia mais agradável.

Chegou o pedido. Era pra ser um prato de nachos com guacamole, frijoles e chilli. Pois bem, os nachos pingavam óleo, parecia um PF feito de doritos velhos amolecidos em mingau de feijão dormido com bastante canela, salpicados de vitamina de abacate por cima. O molho picante não tinha pimenta. O que era aquilo? Uma pegadinha? Imediatamente meu estômago começou a doer, desistimos, pedimos a conta. A saideira foi um banho de água tônica que o garçom deu no meu namorado. Quem mandou sair de São Paulo pra vir morar em Salvador? Agora aguenta.

Partimos rumo ao Rio Vermelho. Chegando lá encontramos uns amigos da professora, uma mesa repleta de jovens Indies, fashion, ecletic people. Encontramos também um chato drogadito que estava no MAM falando que depois do Jazz teve show de palhaços. Muito bom, muito bom.

Pra mim chegara o fim da noite, hora de bater em retirada, toque de recolher, recuo estratégico. Está decidido, só saio de casa pra trabalhar, ir ao cinema e ir ao aeroporto pra viajar. Desisto de badalar em Salvador, não me convidem para festas, eventos sociais ou algo parecido, ok? Não quero conhecer ninguém. Vão me apresentar ao Chico Buarque, Ruy Guerra, Tarantino, Gabriel García Márquez, David Lynch ou Woody Allen? Senão, me deixem em paz, as pessoas que conheço já me bastam, não quero aumentar meu ciclo de amizade.

Passar bem.

sábado, 25 de abril de 2009

What the hell is that????


Depois de uma semana de chuva e de gripe resolvi dar uma pinta na night soteropolitana. Fui num forró que acontece às sextas-feiras no circo perto da minha casa, não que eu goste de forró ou de circo, mas marquei com amigos e estava a fim de sair um pouco da bublle. Pra falar a verdade tenho uma certa implicância com circo e com circenses, tô falando desses circos meia-boca. Circo de verdade eu gosto, como o Cirque du soleil [que nem parece circo]. O que me irrita é a falta de capricho, qualquer coisa tá bom, figurino pobre, trapezistas medíocres, palhaços idiotas... Por trás disso tudo está a galera "alternativa" que acha que tudo é arte. Quer ser artista? Entra pro circo. E o que é ainda mais imbecil é aquela criatura que entra pra escolinha de circo pra dizer que é cool. Quem tem um pouco de habilidade faz malabares, trapézio, contorcionismo. Quem não tem nenhuma, vira clown, é mais fácil, só precisa comprar um nariz de palhaço e não ter senso do ridículo.

Pois então, chegando lá me deparo com um forró mal tocado, com um cantor de banheiro. Logo depois entra um trio de mulheres tocando não sei o quê, era uma mistura de maracatu com ciranda e cantoria nordestina, péssimo. Mas a galera alternativa estava curtindo, não importava se elas eram desafinadas, mas o visual era exótico. Se você não tem sensibilidade pra entender a proposta, o conceito, você está por fora, seu careta!

Só me restou observar as pessoas, tinha de tudo: neo hippies, pessoas feias, cirsenses, um senhor parecidíssimo com o Visconde de Sabugosa usando um chapéu coco (foi ao circo inspirado na música O Bêbado e a Equilibrista) esse era um dos mais animados, não saía da pista de dança. Ah! tinha dois gringos igualmente carecas, igualmentes sentados de pernas cruzadas, igualmente com o queixo apoiado na mão e igualmente com cara de tédio. Dava pra ler seus pensamentos, em um estava escrito: What the fuck is that? E no outro: Oh my God! What the hell is this??

De repente, não mais que de repente surge uma moça com uma máscara e vestida de Dona Benta (touquinha de croché e tudo). Será que o tema do forró era o Sítio do Pica-pau amarelo? Nossa! Aquilo foi demais, naquela altura eu achava que não tinha como piorar a festa, mas ela conseguiu. Não entendi o enredo, era uma performance? Era uma atriz? Uma clown contemporânea? A dona Benta circulava e tentava interagir com as pessoas sem muito sucesso, ninguém dava a mínima. De duas uma: ou ela era esquizofrênica fugida do manicômio, ou tinha tomado um ácido e resolveu entrar na onda de que era uma velha. Depois fiquei achando que era alguma aluna do circo, porque pegou o microfone e gritou palavras incompreensíveis enquanto o pessoal dançava uma quadrilha.

Estava na hora de me retirar, saí entendendo profundamente porque o palhaço grita "Hoje tem marmelada?" e a plateia responde "Tem sim senhor!"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ma ma ma... que porra é essa???


Jesus do céu! Ma-que-por-ra-é-es-sa chamada Malhação? Fazia tempo que não via essa coisa! Gente, na boa, é muita vontade de estar na TV, na moral. Malhação significa, paradoxalmente, início e fim de carreira. As gatinhas e gatinhos adolescentes ansiosos pela fama e os que já passaram dos 30 se contentando em fazer uma ponta, um papel ridículo só pra não serem esquecidos pela mídia. Os que vingam vão pra próxima novela das 6, os que já estão há mais de um ano com o mesmo papel esqueçam, no máximo vão virar apresentadores do Vídeo Show. Ah! tem também a categoria de atrizes entre 25 e 30 e poucos anos, esposas de algum diretor, bonitinhas mas ordinárias, canastríssimas, que fazem uma pontinha vez ou outra.

A nova mulher de um diretor (esqueci, ou melhor, nunca soube o nome dela) faz um papel de professora. Coitada. Tá feio, tá feio, alguém avisa aí.

Mas é isso, num país em que a Xuxa é a rainha, o Faustão é um ícone da comunicação, aquela menina prodígio horrorosa [Maísa] é um fenômeno, a Ivete Sangalo é cantora e o Chiclete com Banana é uma grande banda não poderia ser diferente.

Tédio


Hoje não fui trabalhar, chove torrencialmente em Salvador e eu, como uma boa baiana, sou feita de papel. Acordei gripada e com um medo desgraçado das trovoadas. Ainda por cima tinha que pegar o Ferry-boat pra Bom despacho e, de lá, um ônibus pra Valença. A cidade está toda alagada, se pelo menos o Ferry parasse aqui na porta de casa tudo bem... Mas meu chefinho é super compreensivo e achou muito justo que eu tirasse folga hoje.

Eis que me encontro aqui, entediada assistindo sessão da tarde, olhando coisas inúteis na internet e escrevendo, também, inutilidades, ou seja: um dia totalmente improdutivo.

Aí, inspirada no Blog da Juliana Cunha resolvi fazer uma listinha das 5 coisas que mais amo em Salvador. Bom, vamos lá:

1- O aeroporto, que apesar de se chamar Luís Eduardo (urgh!) Magalhães, é uma porta de saída da cidade. Rodoviária não vale, é muita baixaria.

2- Minha casa, mais especificamente, o meu quarto. Tem tudo que eu preciso pra viver, ar-condicionado, internet, meus livros, meus dvds, meus cds, meus cachorros e, frequentemente, meu namorado (prometi que daqui pra frente incluiria ele nos meus textos). Enfim, uma bubble quase perfeita se não fosse a voz da minha vizinha mineira que insiste em me incomodar, ora dando ordens à empregada, ora chamando o marido que está lá na casa do caraio.

3- A pizzaria Armazém Paulistano, que está muito longe de ser a melhor pizzaria de Salvador, mas é pertinho de casa, quando faço um pedido dellivery chega em menos de meia hora, ótimo!

4-O Circuito Sala de Arte, que nem sempre passa todos os filmes que gostaria que passasse mas tá valendo.

5- O bairro do Rio Vermelho, tá certo que não é nenhum Leblon e nenhuma Vila Madalena mas quebra um galho. É o bairro mais boêmio de Salvador, tem bares, restaurantes e entretenimento pra quase todos os gostos, quase.

Sim, mas por que fiz essa lista mesmo? Ah! é o tédio...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Intimidade X individualidade


Meu namorado reclama porque não incluo ele nos meus textos, já que em muitas situações ele está presente. Disse que estou mudando os fatos e que isso "soa estranho, perde a credibilidade". Quem disse que quero credibilidade? Eu chamo isso de edição.

Para combater essa carência afetiva literária fiz esse texto em homenagem a ele. De agora em diante leitores, imaginem que quando estava no restaurante italiano não estava sozinha, ele estava comigo! Que o bip irritante que interferia no meu sonho era do celular dele, que quando andava na praia durante o "freak show" ele estava ao meu lado.

Tá bom assim amor?

Dali de Salvador


Estava andando de bicicleta quando recebo um telefonema da minha sócia na ONG de transplantes ortodônticos: uma criança carente necessitava urgentemente de um aparelho para desapinhar seus dentes e esse problema só poderia ser resolvido no Rio de Janeiro. Contactamos (com a ajuda do Dr. Drauzio Varella) a tia da menina, uma lavadeira que há muitos anos havia migrado do subúrbio de Salvador para o subúrbio carioca a procura de melhores condições de trabalho. Tudo certo, a tia poderia dar o suporte necessário à menina depois que a mesma deixasse o hospital ortodôntico. Voei para o Rio imediatamente com a menina e no aeroporto encontro o Perseguidor Implacável que se apresentou como Luiz Sutileza, ao seu lado estava uma voluntária que recebia as crianças portadoras de má oclusão nos aeroportos e as levava aos respectivos hospitais. Era uma mulher girafa. Seu pescoço era 6 vezes maior que o tamanho de um pescoço normal. Aparentemente tudo corria bem se não fosse aquele bip irritante que provavelmente vinha do bracket do canino do aparelho provisório da menina. Tentei desativá-lo sem sucesso, ele continuava apitando de tempos em tempos. Aquilo foi ficando insuportável até que acordei.

Levantei no escuro e percebi que o som vinha do meu celular, era o aviso de que a bateria estava no final. Desliguei e voltei pra cama, torcendo pra que aquele sonho cansativo não tivesse continuação.

domingo, 19 de abril de 2009

Ah! Bruta flor do querer...



Domingo chuvoso, acordei com vontade de almoçar fora. Queria comida mexicana. Saí de casa meio-dia e pouco, fui na Pituba, Itaigara, Rio Vermelho, Ondina, Barra e nada, tudo quanto é restaurante fechado. Tinha esquecido que morava em Salvador e que domingo é dia de baiano comer caranguejo ou ir ao shopping e eu não queria nem um nem outro.

Depois de rodar durante 2 horas pela cidade deserta (baiano é feito de papel, não sai de casa quando chove, a não ser pra comer caranguejo ou ir ao shopping) já tinha desistido do mexicano e estava disposta a entrar no primeiro restaurante aberto que encontrasse (excluindo os que vendem caranguejo e os de shopping). Achei um Italiano. A comida estava mais ou menos mas tudo bem, fazer o quê?

Senti saudades do tempo em que morava no Rio, saudades do Leblon... Botecos e restaurantes cheios de gente animada, mesmo nos domingos com chuva. Aí lembrei da música do Caetano: O quereres. Ele deveria trocar "onde queres Leblon sou Pernambuco" por onde queres Leblon sou Salvador. O problema seria rimar Salvador com eunuco.

Voltei pra casa com uma leve frustração de não ter encontrado o que queria, mas pelo menos não sucumbi: não comi caranguejo nem fui ao shopping.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mania de perseguição


OK, desconstrui minhas possíveis psicopatologias como o médico mandou, estou me sentindo ótima, a vida está andando, planos para o futuro e o caraio. Perspectivas de um salário digno, compatível com a minha pessoa. Porém estou com mania de perseguição. Assisti alguns vídeos sobre conspirações [Zeitgeist, Illuminatis entre outros] que me deixaram desconfiada da minha própria sombra. Cismei com o Google, orkut, a merda toda. Saí fuçando os termos de privacidade e configurações dos mesmos e eis que descubro um tal de “histórico da web”. Pra minha surpresa estava lá um dossiê da minha vida cybernética. Todos os sites visitados, vídeos assistidos, fotos baixadas, preferências, consultas, tudo, TU-DO! Tudo catalogado com direito a gráfico de estatística dos itens mais visitados organizados por datas. Números exatos de quantas visitas fiz em dias determinados.
Primeira providência: apagar essa joça de histórico. Tudo bem que "eles" devem ter uma cópia.
Depois fui apagar minhas contas do facebook e do orkut. Uma luta! O facebook parece uma operadora de telefonia que te faz mil perguntas e propostas pra você não excluir a sua valiosa conta. Quando não tem mais jeito e você confirma que realmente deseja sair, aparecem umas fotos dos seu amigos com uma frase: fulaninho vai ficar muito triste com a sua saída. O orkut já faz mais de uma semana que tento apagar e nada, ta lá Highlander, Fênix ressurgida das cinzas. É óbvio que o Mr. Google sabe que sou viciada no orkut e não exclui minha conta. Deve existir um sistema em que os usuários que acessam com muita frequência estão fadados a ter uma conta eterna, imortal. Vou ficar velha, morrer e meu profile vai estar lá. Desisti, resolvi deletar pessoas [já que não posso me deletar] depoimentos e fotos pra passar despercebida, anônima.
Até esse blog aqui ta me deixando com uma pulga atrás da orelha... sei não hein?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Pausa dramática


Por tempo indeterminado.

domingo, 5 de abril de 2009

Budapeste


Fiquei tão feliz em saber que em maio estreia o filme Budapeste. Adoro o Chico Buarque, adoro o livro, que por sinal ganhei de aniversário em 2004, autografado com dedicatória e tudo. Gosto bastante do Walter Carvalho... Agora uma pergunta que não quer calar: pô Walter! Por que a Giovanna Antonelli? Por quê?

Freakshow


Cena 1: Sete horas da manhã de sábado chuvoso na rodoviária de Salvador. Pessoas especialmente horrorosas e mal vestidas passando de um lado para o outro. Tipos de feiúra para todos os desgostos. Sentei no salão de embarque ouvindo meu mp4 pra ver se me acalmava e se conseguia sentir um pouco de amor ao próximo. De repente uma senhora me cutuca pra saber as horas, detalhe: existe um relógio no meio do salão com uns 2 metros de diâmetro. Ok, respirei fundo, respondi e embarquei antes do horário do ônibus sair. Sentei afastada pra ter um pouco de paz e ouvir minha música sossegada. Na minha frente havia um casal de pombinhos monstros apaixonados. Ela vestida como manda o figurino dos sem-noção [camiseta de visco lycra cobrindo metade da pança e pança dependurada na calça jeans strech atochada no rego. Nos pés uma sandália plataforma feia de doer com um joanete indecente me encarando e apontando para o lado]. Ele alisando o pezinho dela. Corta.


Cena 2: Meio-dia na rodoviária de Candeias, chuva torrencial, uma mulher-macho de bermuda cargo poída, camiseta de propaganda política, cabelos duríssimos ensebados presos num rabo de cavalo sentou-se ao meu lado e tirou uma jaca da sacola. Acho que era jaca mole pois na rapidez em que comia presumi que não mastigava. Na mesma velocidade em que engolia a jaca arremessava os caroços com força para todos os lados, sem se importar com quem estivesse na frente. Comeu a jaca inteira em menos de oito minutos, arrotou e disse: hoje tô a fim de beber. Corta.


Cena 3: Sentei na poltrona 21 e ao meu lado sentou um portador de necessidades especiais [dentre essas necessidades podemos listar um banho completo com sabão, shampoo e desodorante] acompanhado de sua super-muleta e seu super-fedor. Aumentei o volume e cantei mentalmente all we need is love. Cheguei em Salvador às doze e quarenta e ainda tive que esperar alguns minutos até a criatura dominar sua muleta, se virar sozinho numa poltrona apertada, se equilibrar em pé e, finalmente, conseguir sair do ônibus. Corta.


Cena 4: Domingo de sol, fui andar na praia em frente de casa. Só para situar, a praia de Piatã era uma das praias mais bonitas de Salvador até quando um prefeito burro para caralho chamado João Henrique resolveu detoná-la. Como? Demolindo os quiosques de piaçava da orla e construindo no lugar casas de tijolos com 3 cômodos e área de serviço ocupando uma área 3 vezes maior que os antigos quiosques. Transformou barracas de praia em moradia de barraqueiros. Não satisfeito, destruiu a vegetação local, o que causou uma erosão filha da puta. Finalmente sua cagada foi incrementada com o desmoronamento de parte do calçadão. Resultado: a obra foi embargada pelo IBAMA e há 3 anos essa merda virou uma espécie de favela à beira-mar, com direito a gato de eletricidade, barraqueiros pedintes, telhado de zinco, tapumes de madeirite, papelões e outros adereços mais. Outro detalhe: o desgraçado foi reeleito. Caminhando pela praia avisto famílias e mais famílias de farofeiros. Logo de cara fui abordada por um “garçom” de trancinhas me convidando para sentar em sua barraca, perguntei se era a que estava tocando uma música medonha e disse não obrigada. Tinha de tudo, hipopótamos de fio dental, futebol na areia até perder de vista, vendedores ambulantes enchendo o saco, ciganas desdentadas querendo ler a sorte e rogando praga, saci pegando jacaré e tudo isso acontecendo ao som do Fantasmão. Fui persistente, fiz minha caminhada, constatei mais uma vez que preciso dar o fora de Salvador.


Pode ser muito curioso essa miscelânea vista no cinema ou narrada pela mala da Regina Casé, é como ir ao zoológico e ver animais exóticos, mas na vida real a estética da pobreza é bizarra. Não há nada de digno na cultura da miséria e da ignorância.

terça-feira, 24 de março de 2009

Pensamento elevadíssimo!


Há dias sem escrever, um misto de muita coisa pra fazer [aula de pós-pau miúdo-faixa de gaza-yoga-estudos-faixa de gaza novamente] e falta de inspiração [preguiça-praga do fantasma do Clodovil-da Hebe Camargo-da filha do Didi...].

Amanhã vou em busca de um novo emprego, proposta ótima nessa cidade aqui. Finalmente vou para um lugar bonito com melhores condições de trabalho. Adeus Faixa de Gaza! Estou aproveitando minha força do pensamento e o foco ao meu favor, a boca maldita eu deixo para falar mal dos merdas. Beijos para todos e elevem seus pensamentos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Eu acho uma merda - Parte 2


Tarde de tédio, fuçando a internet pelo avesso eis que descubro uma lista de blogs de celebridades no globo.com.
Pois bem, procurei alguém que eu adimirasse pra ler e, se desse vontade, comentar algo. Que nada! A lista parecia a minha "Eu acho uma merda".

Por curiosidade entrei no blog de um diretor de novela famoso: uma merda. Não resisti e fiz um comentário sem ofensas pessoais, mas falei sutilmente que achava uma merda. Então comecei a olhar blogs de pessoas top de merda e constatei que são realmente uns merdas!
Tudo bem, confesso que em algumas visitas eu me empolguei demais, tive que dizer explicitamente que era uma merda sem nenhuma sutileza.

Mas o padrão Globo de qualidade é muito rápido, lá pelo quarto blog merda visitado fui deixar minhas observações e meu login já não existia, até o meu email não estava mais cadastrado.

Merda.

terça-feira, 17 de março de 2009

O lado ruim das coisas boas



Hoje recebo uma ligação do meu colega, o dono do consultório do Pau Miúdo. Quer marcar um dia pra eu assistir ele trabalhando para podermos padronizar a qualidade de atendimento da clínica, ou seja, vou lá ensaiar a coreografia do atendimento sincronizado. Sifudê!

Acho que ele esqueceu que temos o mesmo tempo de formados, que formamos na mesma Faculdade e que cada pessoa tem sua forma de trabalhar. Não vou me transformar no dr. Alexandre depois de 11 anos como dra. Ana Luiza.

Terminou a ligação dizendo que tem boas notícias para mim e que está muito animado com a nossa parceria.
Eu particularmente comecei o meu processo de implicância generalizada. Impliquei com o ar de professor ultramegaempresário dele, impliquei com a secretária multi-uso (retiro o que disse quanto ao número de auxiliares necessário para que fofocas se formem, uma já é suficiente) e impliquei com o nome do bairro.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O lado bom das coisas ruins

Comecei a trabalhar num consultório de um amigo, ex-colega de faculdade, num bairro chamado Pau Miúdo. Fui acompanhada do meu pessimismo habitual achando que não iria gostar de lá. Para minha surpresa foi uma manhã agradável, a secretária se chama Lúcia, muito simpática e competente, é uma auxiliar multi-uso, faz tudo. Achei ótimo, um consultório com mais de uma secretária é sinônimo de fofocas.

Atendi durante a manhã e depois fui até o ponto de ônibus com Lúcia me acompanhando como um guarda-costas-dama-de-companhia, pois eu não conhecia o bairro (que por sinal é muito feio) e não fazia a mínima idéia de como sair de lá. É impressionante como atraio lugares horríveis para trabalhar.

O sol estava de rachar. Fiquei na sombra do fio do poste, a única existente no local ao meio-dia, enquanto esperava o ônibus. Resolvi comprar uma água de coco, estava morrendo de sede. Inacreditavelmente no coco só tinha um gole de água, não sei como, ele estava hermeticamente fechado e eu vi o vendedor fazer o furo pra colocar o canudo. Nem tive coragem de reclamar, na verdade tive preguiça, como iria provar que o coco estava defeituoso e que tinha vindo com cerca de 5 ml de água dentro? Deixei pra lá. Ainda fiquei fingindo que estava bebendo, dando um tempo com o coco vazio na mão e o canudo na boca antes de jogá-lo no lixo.

O ônibus chegou rápido e também cheguei rápido em casa. Lembrei que hoje sairia o resultado do concurso do PSF pela prefeitura de Salvador. Entrei no site e constatei que não tinha passado, na hora achei ruim, mas depois pensei: não iria agüentar bater ponto de segunda a sexta num bairro distante e provavelmente violento, trabalhando 40 horas semanais. Resolvi checar os nomes de algumas insuportáveis da época da faculdade que fizeram o concurso e vi que elas também não passaram, isso foi confortador. Nada pra ninguém.

Logo depois recebi uma proposta pra trabalhar em um PSF no sertão da Bahia, de novo. Recusei, ainda me recupero da época em que trabalhei lá, voltei surtada e esturricada. Haja anti-depressivo e hidratante! O lugar deve ser o fim do mundo com 8 mil miseráveis habitantes, não dá pra mim não.

Deixem-me aqui quieta com minha bicicleta, minha Yôga, minha praia aqui do lado, o Pau Miúdo, a Faixa de Gaza... Não vamos piorar as coisas!

Boca maldita


Cruzes! falei mal do Clodovil e agora a mona está entre a vida e a morte.

Tenho que tomar mais cuidado com o que falo e penso (ou não?) antes que eu seja responsabilizada por catástrofes maiores.

sábado, 14 de março de 2009

Eu acho uma merda.


Acho uma merda o Arcebispo de Olinda e sua excomungação,
os excomungados se importarem com isso,
o aumento de salário do STF,
o BBB 9 bater recorde de audiência,
ouvir o Lula dizer que a crise é uma “marolinha”,
saber que “vai buscar Dalila” foi eleita melhor música do carnaval,
essa onda de garotas classe-média querendo ser clown,
a festa de 80 anos da Hebe Camargo,
criança-prodígio,
crianças-prodígio cantando no Raul Gil,
miguxas dizendo "eu te amo" umas às outras o tempo todo pela internet,
o Pedro Bial e suas correspondências pré-paredão,
o figurino do Fausto Silva,
ler que o aniversário da filha do Didi foi super-bacana,
o verão em Salvador,
a peça A Bofetada,
as dicas de moda da Glória Kalil,
torcedores corinthianos,
Chicleteiros,
conhecer o novo namorado da Suzana Vieira,
ver a Suzana Vieira de biquine,
numerologia,
a reforma da língua portuguesa,
a Maria Rita,
o Padre Fábio Melo,
gente cafona,
o Tom Zé cantando ou faland0
A figura e a voz do Clodovil (o nome também)
Acho uma merda estar na TPM.
Acho uma merda achar uma merda.

Soltando os cachorros


Hoje acordei com a macaca. Cheguei em Candeias disposta a pedir minha demissão já que o dono da clínica estaria lá.

Enquanto eu atendia um paciente vi o vulto da assombração passar pelas minhas costas, virei e era o próprio, com um papel na mão dizendo que queria conversar comigo. Só em ver aquela cabeça chata sem pescoço me deu uma irritação imediata. Quando terminei o atendimento fui falar com a criatura.

Queria que eu assinasse um contrato indecente que logicamente só beneficiava a ele. Fui curta e grossa: não vou assinar nada, estou indo embora. Ele ficou nervoso e começou a alterar a voz, dizendo que todos os dentistas assinaram e que eu tinha que assinar, eu alterei a minha também e repeti que não iria assinar. Falou que o profissional tem que se adequar às normas da empresa e não o contrário. Eu disse que como não me adequava estava indo embora. Ele perguntou porquê (já gaguejando, ele gagueja quando fica nervoso) respondi que não estava satisfeita em trabalhar lá, que todos os dias saía da clínica com enxaqueca e torcicolor, que não gostava de ter câmeras ou informantes vigiando a hora que eu chegava e saía da clínica, que eu não iria trabalhar mais de 8 horas por dia como ele queria, que ele tinha mania de perseguição, que era culpado por todas as fofocas que surgiam na clínica, que ele era um mentiroso, charlatão e eu não iria ser conivente com a desonestidade dele. Enquanto eu falava ele interrompia com sons do tique nervoso, um tipo de mini espirro (guinf, guinf) e com sílabas soltas e repetidas (vo vo vo vo cê cê cê cê...)

Eu me empolguei, bati a mão no balcão e aproveitando a gagueira dele esbravejei: deixa eu concluir!
Me disse que não exercia ilegalmente a profissão e que tinha nascido e crescido naquela clínica, era praticamente um dentista nato, só que não fez faculdade, era um dom, assim como o pai (o finado também era prático) mas que não estava mais atendendo como "dentista", que atualmente dedicava-se à política, tinha cansado de trabalhar, e que com as últimas eleições tinha a prefeitura da cidade em que mora em suas mãos (ganhara de presente a secretaria municipal de saúde) ou seja, iria continuar mentindo, explorando, enganando e sendo anti-ético com as pessoas. Só que agora com muito mais grana envolvida, e como mesmo disse, com pouco trabalho. Me pediu pra não deixar a clínica, que iria me arranjar uns plantões no interior onde tem influência, me prometeu mundos e fundos.

Me mostrou o contrato e pediu que eu assinasse. Eu falei que se ele estava com medo de eu colocá-lo na justiça que ele poderia ficar tranquilo. Ele respondeu: nãnãnãnã não é nad da da da da da disso! Nã nã nã não temos vínculo trab b b b b b ba lhiiiiiiiiiista. Respondi com tom de ironia: você está enganado... Precisa se informar! Dentista tem direitos como qualquer trabalhador, e se você exige como um patrão tem que ter obrigações de patrão também. O flat head arregalou os olhos e ficou em silêncio.

Mais uma vez pediu pra eu não sair da clínica, fez uma cara de bonzinho, de amigo, de gente boa. Eu disse que iria pensar. Ele é um bom político. Mente bem e crê na sua própria mentira. Tem carisma, comove. A gente quase acredita nele. Quase.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Força do pensamento


Dizem que o pensamento exerce uma força incrível nas nossas vidas, isso é verdade, mas ando com a mente fraca. Durante esses últimos 10 meses em que estou trabalhando em Candeias não houve um só dia que eu não penssasse em sair de lá, arranjar um emprego melhor. Penso que gostaria que a clínica pegasse fogo, desabasse, fosse atingida por um furacão (durante a noite, pra que não existissem feridos, com exceção do dono da clínica que poderia estar presente. Ele merece virar estatística) ou qualquer coisa que me impossibilitasse de trabalhar lá.


Finalmente agora consegui um emprego numa clínica melhor, mais organizada. A dona é uma colega, profissional séria e competente. Só um porém: é ainda em Candeias. Ok, o meu pensamento, como disse, está fraco, lento e ainda desfocado. Tenho esperança de que com a Yôga dê uma turbinada nele e assim, um dia, chego ao Leblon.


A nova clínica é bem localizada, na medida do possível. Fica no melhor prédio da cidade, o único em que a construção foi totalmente finalizada, todo espelhado, próximo à rodoviária. Isso é muito bom, diga-se de passagem. Pensando positivamente significa que já estou com o pé fora da Faixa de Gaza. É um ponto estratégico para fuga em caso de bombardeio.
PS: a foto a cima foi tirada na porta da antiga clínica.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Quero ir embora dessa merda.


Pegar minha bicicleta, meu mp4 e sumir! O mais rápido possível.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cortem as cabeças, mas antes torturem!!!



Hoje algo me dizia que seria um dia difícil, cheguei atrasada na rodoviária, quase perco o ônibus pra Candeias. No ônibus vi que minha poltrona preferida, na janela, estava ocupada. Fui ao lado de uma jovem gorda que ocupava, além da cadeira dela, 1/3 da minha. Tudo bem, me espremi e coloquei meu mp4 pra tentar relaxar durante a viagem. Durante o percurso fui me irritando com o braço da moça que, além de ocupar todo o braço da poltrona , invadia meu espaço aéreo. Começou a guerra de braços, eu forçava o meu contra o dela e nada, a Godzilla estava imóvel feito um Buda fundido naquela poltrona. Vi minha serotonina se perdendo na estrada Salvador-Faixa de Gaza. Isso era só o começo.


Chegando na clínica comecei o atendimento, hoje os pacientes estavam especialmente chatos, mas o clímax foi atingindo quando um sujeito feio e mal encarado chegou pra fazer uma extração dentária. Examinei o Frankenstein e disse que teria que ser feita uma extração cirúrgica pois o dente estava completamente destruído. O homem se assustou com o preço e expliquei que não seria uma extração simples, ele disse que não queria fazer cirurgia e sim uma extração simples. Mais uma vez expliquei (pedagogicamente) que não era possível realizar o procedimento da forma que ele queria. Ele continuou insistindo, alegando ser muito fácil extrair um dente. Perguntei se ele era dentista, ele disse que não. Continuou insistindo para que eu fizesse a maldita extração. Perdi a paciência e entreguei a bandeja de instrumentais a ele, mandei que ele mesmo fizesse e me levantei da cadeira. Ele se sentiu ofendido e disse que preferia fazer em casa e partiu pro limbo de onde veio.


Voltando para casa, morrendo de dor de cabeça, esbarrei, sem querer obviamente, num outro tipo de monstro na passarela de pedestres da rodoviária. O chupacabra deu um grito e me chamou de mal-educada, cheguei a pensar que estava falando com outra pessoa. Olhei para trás e vi os olhos de ódio da criatura na minha direção, parecia drogado.


Sinceramente, assim não há bicicleta, Yôga, terapia, Prozac que dêem jeito.
Só um lança-chamas, uma bazooca, um rolo compressor, um tanque de guerra, a guilhotina...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Bicicletando


Andar de bicicleta com a lua cheia, ouvindo Ella Fitzgerald no MP4 e na volta banho frio e uma taça de sorvete de chocolate da Häagen-Dazs: sensação única!

Viva a serotonina!

Elevando o pensamento


Dando continuidade ao meu projeto de auto-ajuda (não sei se com hífen e se o hífen tem acento. Essa reforma ortográfica me deixou emputecida, com a sensação que me tornei, de uma hora pra outra, uma velha que escreve em Português arcaico) estou pensando positivamente e elevando o meu pensamento, sempre que possível. Comecei a fazer aulas de Yôga (com acento circunflexo, pois é Swásthya Yôga ) empolgadíssima e bastante focada nos movimentos. Consegui fazer a aula toda, me sentindo o próprio De Rose. Tudo bem, acordei parecendo um caranguejo, pernas abertas e arqueadas, andando toda dura e de lado. Isso sem falar na dor generalizada como se tivesse sido atropelada por um trem. Mas valeu, vou perseverar.


Além da Yôga vou começar a andar de bicicleta pela orla. Espero aumentar meus níveis de serotonina e endorfina no organismo sem a ajuda da Pfizer. Obviamente algumas coisas me procupam, andar na Orla de Salvador não é muito terapêutico. A ciclovia é uma vergonha e existem outros obstáculos a serem vencidos: os alienígenas que não sabem diferenciar a via de pedestre da de ciclista, os próprios ciclistas (na maioria ladrões e pivetes mal educados) os galanteios chulos ditos pelos jagunços que frequentam a orla, a música baiana que constitui a trilha sonora das barracas de praia... Pensando bem, talvez não esteja preparada pra enfrentar a orla ainda. vou ficar restrita ao condomínio, para o bem geral da nação. Cada coisa no seu tempo.


Mas de qualquer forma vou providenciar os equipamentos para ciclismo: capacete, joelheira, cotoveleira, I pod, spray de gás de pimenta... Porque mesmo pensando positivo e elevando o pensamento a gente tem que estar preparado pra tudo, né?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Eu sou normal!!!


Voltei de mais uma consulta com o psiquiatra. Ele me falou que preciso desconstruir os outros diagnósticos dados pelos médicos anteriores. Disse que o homem atualmente considerado normal tem um pouco de cada doença, um pouco ansioso, um pouco deprimido, um pouco obsessivo e por aí vai. O verdadeiro neurótico é um normal especializado, ou seja: focou demais em uma dessas patologias. Gostei da linha que ele está seguindo. Me falou que não há problema em ter mais de uma vocação, que nada me impede de ser uma ortodontista que escreve e gosta de Literatura, desenha, canta, dança e representa. Mandou eu retornar novamente (sem custos, o que é muito importante) e disse que vamos achar uma saída pras minhas inquietudes. Passou uma vitamina pra combater a TPM e finalizou a consulta.


Saindo do seu consultório me lembrei da época que morava no sertão da Bahia trabalhando pelo programa do Governo Federal: o Brasil Sorridente. Morei lá por oito meses numa república com mais de dez profissionais da área de saúde, eram médicos, enfermeiras, dentistas, uma nutriconista, uma assistente social e uma psicóloga. Pra falar a verdade lembrei especificamente da psicóloga.

Ela era uma neurotiquinha mimada recém-formada que incorporou a "Alienista". Sim! Aquele do Machado de Assis. Uma determinada época ela resolveu catalogar todo mundo e enquadrar-nos em alguma doença psíquica. A minha, segundo ela era bipolaridade.
Aos domingos rolava festa na boate trash da cidade, chamada Brilho Mania. Lá era o local que nós, os confinados do sertão, íamos pra extravazar. Bebíamos horrores, dançavamos músicas medonhas, e nos divertíamos na medida do possível até perder a dignidade.

Certa vez eu e meu melhor amigo Paulo, também dentista, tinhamos passado da conta e do teor alcoólico. Requebrávamos até o chão. De repente a Alienista me chamou reservadamente e disse pra eu ficar atenta pois estava entrando na mania [fase de maior euforia que os bipolares ou antigos maníacos-depressivos, entram por conta do transtorno].
Na hora não acreditei no que estava ouvindo, se não me engano cheguei até a concordar com ela, mas logo caí em mim e falei que eu até poderia estar na mania, mas que ela certamente estava sendo anti-ética pois ali não era hora, maneira, nem local pra ela me dar um diagnóstico.
Isso foi motivo de chacota, pra pobre psicóloga. Eu e meu amigo Paulo costumávamos falar que nós éramos normais e que não entrávamos na mania e sim na Brilho Mania.


Pois é, hoje tô começando a acreditar que sou normal! Quando cheguei em casa minha mãe me perguntou: e aí filha o que o médico disse? Eu respondi:
-Eu sou norrrrrrrrrrrmal!!!!


segunda-feira, 2 de março de 2009

Cronicamente inviável

Hoje fui cheia de esperança na minha consulta com o psiquiatra. Seria um bom começo ter um diagnóstico e uma solução pra minha insatisfação crônica.

Sentei no divã e desatei a falar, disse que quando era criança era extremamente tímida, distraída e me achava burra. Hoje sou mais extrovertida, continuo distraída e acho todo mundo burro. Falei da minha falta de foco na profissão, da minha irritação, da falta de saco generalizada para tudo e todos e de diagnósticos dados anteriormente por outros psiquiatras: Transtorno Bipolar do Humor, DDA, Depressão... O médico anotou tudo e me fez algumas perguntas. No final da sessão me informou que não tinha fechado um diagnóstico. Precisava de mais tempo e eu teria que retornar mais duas vezes (sem precisar pagar nova consulta). Disse também que não ía me passar nenhuma medicação, o que me deixou bastante frustrada. Queria uma pílula mágica de alta tecnologia que me ajudasse a sair desse estado letárgico, infeliz e desfocado em que me encontro.

Tudo bem, pelo menos ele estava sendo honesto. Talvez precisasse de uma junta médica pra desvendar meu cérebro tão confuso, ou então a minha patologia desfocada tenha também tirado o foco do próprio médico. Ele pediu pra voltar na quarta-feira e se despediu de mim.

Saí da clínica e peguei um ônibus Vilas do Atlântico de volta pra casa. Ônibus cheio, tive que sentar no fundão ao lado de dois homens fedendo a suor. O calor estava i-na-cre-di-tá-vel! O fedor de murrinha de gente suada tomava conta do ambiente. Assim que entrei no ônibus vi que tinha um sujeito cantando e tocando violão, inicialmente achei que fosse música de crente e pensei: me fodi! Viagem longa, ouvir música evangélica até em casa seria demais pra mim. Logo percebi que era mais um desempregado tentando ganhar algum dinheiro entretendo os passageiros. Pra minha sorte a música não era ruim. Ele cantou Tim Maia, Zé Ramalho... tudo bem que ele semitonava algumas vezes, mas não chegava a desafinar por completo.
Ao meu lado estava sentado um brucutu bastante suado comendo amendoins e obviamente jogando os restos pela janela ou no chão do ônibus.

Fui pensando na minha consulta e querendo adivinhar qual seria o veredicto final. Será que o médico não viu nenhum problema comigo? Talvez a solução seria eu ganhar na mega-sena e não precisar mais trabalhar na Faixa de Gaza, nem ser explorada pelos donos de clínicas ou pelos planos de saúde. Talvez eu precisasse viver num lugar menos calorento onde os ônibus fossem menos cheios e mais limpos e as pessoas mais cheirosas. Um lugar de pessoas não tão alegres com tanta necessidade de sacudir o feofó o tempo todo. Um lugar onde os profissionais de saúde e as pessoas que trabalham de verdade tenham mais valor que qualquer cantor de quinta categoria como Ivete Sangalo ou Bel Marques. Um lugar sem carnaval, sem música sertaneja, sem Fausto Silva aos domingos, sem revista Caras. Um lugar onde os carros buzinem menos e não tenham adesivos colados do tipo: "eu acredito em duendes" ou "Deus é fiel".

Um lugar em que os toques dos celulares não sejam músicas do Psirico. Onde seja crime cuspir ou mijar nas ruas. Onde as catástrofes naturais ou desgraças pessoais também sejam consideradas obras divinas e sejam dadas "Graças a Deus" pelos religiosos. Um lugar onde os vendedores ambulantes falassem mais baixo e não encomodassem tanto a nossa viagem. Um lugar com ar-condicionado central nas ruas e sol mais ameno. Onde a corrupção fosse tratada como crime inafiançável e punida com prisão perpétua. Um lugar em que eu não me sinta protagonista do filme "Cronicamente inviável" do Sérgio Bianchi.

De qualquer forma esse local não existe, pelo menos para mim. De repente quarta-feira o médico possa prescrever um remedinho que me deixe bem feliz, focada e com esperança no futuro! Eu creio no foco e na tecnologia.


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Foco - parte 2


Hoje acordei decidida a dar um foco na minha vida. O primeiro passo foi acordar cedo e me livrar do estado vegetativo em que me encontrava desde o carnaval. Fui trabalhar na faixa de Gaza (ou Candeias, como preferir). Durante o percurso fui pensando em como achar esse bendito foco. Me convenci que nada melhor que um profissional, ou seja um foquista pra me ajudar. Então fui por partes: cérebro, corpo (ficou meio desfocado, principalmente na região abdominal, durante a prisão domiciliar no período carnavalesco) e alma. Logo eliminei a alma, se realmente existir é amorfa, portanto deixa sem foco mesmo. O corpo dá pra resolver comendo menos pizza e fazendo umas caminhadas, pelo menos do quarto até a cozinha e vice-versa, pois na atual situação contratar um personal trainer iria desfocar ainda mais minha conta bancária. O cérebro já complica, mas não tem jeito, marcarei consulta com um psiquiatra, quero que ele foque bastante a região frontal do córtex, acho que é aí que está o problema. Quando cheguei na rodoviária de Candeias percebi que muitas coisas estão precisando de foco. Resolvi levar a sério isso, foco é foco! A lama que surgiu após a chuva desfocava bastante a paisagem, o barulho dos carros de som também desfocava meus ouvidos, mas mesmo assim consegui ouvir um anúncio da "Assembréia" de Deus, será que eu estava ouvindo isso? Assembréia? Era isso mesmo, a lingua do locutor estava meio fora de foco. Ele fazia um convite tentador, era o encontro dos profetas! Quem será que estaria presente? São João Batista? Jesus? Fiquei curiosa, mas sem querer perder o foco segui rumo à clínica.

Quando cheguei resolvi focar no trabalho, mas o compressor estava desfocado e não funcionou, cheguei na recepção e uma maluca totalmente sem foco entrou falando coisas desconexas e me mostrou suas gengivas lisas com o dedo. Ainda foquei na boca da criatura mas logo perdi o foco, ela se ajoelhou e levantou as mãos para o céu enquanto passava mais um carro de som, dessa vez tocando uma música histérica da banda Calypso.
Bom, depois dessa manhã difusa e improdutiva resolvi pegar meu rumo bem focado de volta pra casa. Contudo, não desisti. O foco existe e eu creio nele.


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Simbora ê, Simbora ô lelelele ôo...


É nisso que dá juntar uma festa de proporções dantescas com uma cidade provinciana como Salvador.
As cantoras do axé achando que são deusas ou rainhas. A TV local transmitindo em tempo integral, em formato peculiar de conversa entre comadres, o grande acontecimento do carnaval. Os moradores da cidade ilhados e sendo tratados como prisioneiros de guerra, o comércio paralisado e quem não gostar que se dane.
Fica a dica: os incomodados que se mudem porque ano que vem tem mais.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Vergonha alheia





























Não podia deixar de homenagear o carnaval da minha cidade do Salvador com uma pequena distribuição de vergonha para algumas criaturas que, direta ou indiretamente, contribuem para essa grande festa popular.
Ivete, Carlinhos Brown, Wanda Chase, Claudia Leite, Marrom, Patrícia Nobre, Bel Marques, Tomate, Durval Lélis, Daniela Mercury, Xanddy & Carla Perez, Márcio Victor, Gilmelândia (sim isso é um nome) Preta Gil, Emanuelle Araujo, Saulo, Banda Jamil, Netinho, Fantasmão, André Lélis e foliões em geral:
eu sinto vergonha por vocês.

PS: se esqueci de citar alguém, peço desculpas.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A VIVO estará agradecendo.


Estava eu tomando meu café da manhã quando recebo uma ligação da VIVO. Antes de dizer não resolvi escutar o que a moça tinha a me oferecer.
- Bom dia Dona Ana! Aqui é da VIVO, você foi selecionada para participar da promoção VIVO controle! Quanto a Sra. gasta por mês em recarga?
- Nem sei... (com a boca cheia de pão).
- Então Dona Ana, com apenas 34 reais por mês a Sra. estará ganhando 250 reais em bônus para ligações locais e de VIVO para VIVO. Além de estar podendo trocar seu aparelho por apenas 10 reais! Podemos efetuar a transação? Pode confirmar seus dados?
- Sim, cpf, nome completo, nome da mãe, blá blá blá... Mas tem um problema, eu já tentei fazer esse plano e fui negada, pois tenho restrições no serasa...
- Mas a restrição está ligada à operadora VIVO?
- Não.
- Então não há problema, você foi SE-LE-CIO-NA-DA!
- Tudo bem, eu tenho interesse (já animada).
- Estarei transferindo essa ligação para o nosso controle de qualidade, é só aguardar na linha que um dos nossos funcionários irá lhe atender.
- Tudo bem.
(pausa)
- Bom dia Dona Ana! Para a sua segurança a sua ligação estará sendo gravada (e repete todas as informações dadas anteriormente pela primeira funcionária). Pode confirmar seus dados?
- Sim, cpf, nome completo, nome da mãe blá blá blá...
-Um momento por favor.
(pausa)
- Olha Dona Ana, existe uma restrição no serviço de proteção ao crédito no seu nome, mas assim que a senhora regularizar essa situação entre em contato com a VIVO através do número *9000 e estaremos efetuando essa transação. A VIVO agradece e tenha um bom dia.
(pausa dramática)
-Ah é né? É assim, né? Beleza. E agora que meu café esfriou?

Foco


- Você é dentista né?
- Sou
- Deve estar bem de vida! Onde é seu consultório?
- Tô trabalhando no interior, fechei o consultório...
- Por quê?
- Porque ele faliu.


A pior que já ouvi:

- E aí já comprou seu primeiro imóvel?
- Não. Nem imóvel nem móvel, pra falar a verdade não sei dirigir, tô com o nome no serasa, spc e o caralho.


Outra:

- Como está a profissão?
- Querendo largar...
- Ainda? você já tem mais de 10 anos de formada, não é?
- É.
- E quer fazer o quê?
- Ainda não sei muito bem, ou Letras ou Jornalismo.
- Você está louca? Quer ser professora? Jornalismo também tá difícil! Você tem uma profissão maravilhosa!
- Mas quero fazer algo que me dê prazer, odontologia também não me dá dinheiro.
- Não é possível! Conheço muitos dentistas que estão cheios da grana!
- Pois é.
- Mas numa altura dessas da vida ( você já passou dos 30 né?) quer fazer outra faculdade?
- Tô querendo.
- Você já fez 3 pós-graduações e não consegue ganhar dinheiro na sua área? Você tá precisando de foco.
- É? Onde compro isso? É algum tipo de óculos?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Tirem os pés do chão e cortem as cabeças!


Ó não! Não creio no que acabei de ver no Jornal Hoje (também quem mandou assistir essa porcaria?) uma matéria ridícula com o nosso ícone maior do carnaval baiano, nada mais nada menos que a efusiva Ivete Sangalo.

Cortem as cabeças! Do Evaristo e da cantora!

Ela disse que gosta muito de cinema, mas não gosta de ler porque não consegue se concentrar, apesar disso é uma pessoa muito antenada, está ligada em todas as notícias! Principalmente as curtas e rápidas. Além de se esgoelar em cima do trio-elétrico curte fazer uma faxina, adora lavar pratos, e é especialista em arear panelas de pressão sujas de feijão. Uau! Essa diva é mesmo muito prendada!

Uma matéria assim tão importante não poderia acabar de outra forma a não ser da mais óbvia: Ivetinha pulando em cima do trio e gritando “tira o pé do chão galera!”
PS: acho que a musa do axé fez alguma intervenção cirúrgica nas bochechas, me lembrou um pouco a Gretchen ou o Fofão, sei lá.

Eu também tive um futuro promissor


Ontem foi dia de concurso público pela prefeitura de Salvador, cerca de 1300 dentistas concorrendo a 30 vagas pro Programa de Saúde da Família (40hs semanais em postos de saúde de comunidades carentes e salário em torno de 4 mil reais brutos) provavelmente deixaram de ser românticos (assim como eu) e atualmente sonham com uma carreira no funcionalismo público. O local da prova não poderia ser mais deprimente, uma escola pública localizada na Avenida Bonocô, pra quem não conhece é uma espécie de faixa de gaza de passagem, ou uma Candeias Highway. Lá a temperatura deve permanecer em torno dos 50° centígrados na sombra, aliás, lá não tem sombra, é um vale de concreto hostil e inóspito. Os portões só abriam às 13h30min e os candidatos que chegaram antes se espremiam no muro da escola, praticamente colados no paredão, tentando aproveitar a única sombra do local, a do próprio muro.Quando os portões se abriram aquela multidão de dentistas suados e ofegantes de todas as idades e espécies entraram como se fossem fazer a prova do vestibular, fiquei impressionada com a quantidade de dentistas que provavelmente estavam na merda, assim como a minha pessoa, e almejavam uma vaga no PSF.Porém o que mais me deixou surpresa foi rever alguns colegas contemporâneos, com mais de 10 anos de formados, ali, com aquela cara de: é... Eu também fracassei. E o detalhe maior foi reconhecer três das mais arrogantes e peruas da faculdade inteira, sentadas ao meu lado, prontas para iniciar um processo seletivo em pleno domingão de sol, na Bonocô! Logo elas que já tinham uma carreira brilhante pela frente! Já tinham consultório montado em bairro nobre da cidade antes mesmo de se formarem, tinham pós-graduação em Odontopediatria paga em São Paulo e nem gostavam das aulas de saúde coletiva, achavam um nojo aquela coisa de prevenção, saneamento básico, pobreza... Estavam sempre muito ocupadas com a comissão de formatura, afinal escolher a cor e o modelo do vestido de gala requer muita responsabilidade. Contudo, onze anos depois estavam lá, também suadas e ansiosas em trabalhar 8 horas por dia em alguma favela da cidade.Fiquei observando as três, uma me deu tchauzinho com um sorriso amarelo, outra parece, ou fingiu, não ter me reconhecido e a outra, a arrogante Mor (que na fase acadêmica parecia flutuar de tanta vaidade) se escondeu quando me viu, achei graça, tive que segurar o riso. Confesso que senti uma certa alegria com aquela situação. Me deu vontade de perguntar: : ô fia! Cadê a pose? Quebrou o salto?Depois senti um pouco de pena, só um pouco, uma pena momentânea e rápida, depois achei bem feito. Percebi que o ar de superioridade de outrora tinha sumido, o glamour tinha desaparecido naquela sala feia e calorenta da periferia. Agora havia um ranço de frustração e mágoa carregando sua fisionomia.Pois é caros colegas odontólogos, eu também tive um futuro promissor!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma estranha realidade


Eu precisava de uma resposta pra minha depressão, já fiz terapia, frequentei a SEICHO-NO-IE, fui ao psiquiatra, consultei o Google, tomei banho de folha e sal grosso. Fiz de tudo pra fechar um diagnóstico e achei mil opções: Distimia, TPM, Transtorno bipolar do humor, chatice crônica, encosto... Enfim, há tempos desapeguei do sobrenatural, incluindo Deus e seus comparsas (santos, anjos, entidades, assombrações, etc.).

Já tinha ouvido falar da União do Vegetal, uma religião semelhante ao Santo Daime, ambos bebem uma mistura de ervas e cipós que dão origem ao chá Oaska. Bebida sagrada que, segundo seus seguidores abre a percepção e proporciona uma viagem interior mais potente que qualquer terapia, uma espécie de Freud líquido. Durante essa viagem Astral os mais sortudos podem até encontrar algumas personalidades divinas, como Nossa Senhora, Sant’Ana (avó de Jesus) entre outros. Quem sabe não era minha oportunidade de perguntar a Deus se realmente cuspi na Santa Ceia?

Não tinha nada a perder, meu único medo era ficar muito alucinada a ponto de não ir com a minha própria cara quando me encontrasse tête-à-tête, pois sou implicante e implicar comigo mesma só iria piorar meu estado depressivo. Outra coisa que não gostaria que acontecesse eram os vômitos, comuns durante as sessões.

Tomei coragem, queria ir a fundo ao meu subconsciente e me livrar dessa insatisfação crônica que me persegue ao longo da vida. Feitos todos os trâmites necessários ao meu ingresso no Núcleo (nome dado ao local das reuniões) fui para minha primeira sessão na União do Vegetal. Confesso que antes de sair de casa pensei em tomar um Plasil, pra evitar náuseas e vômitos, mas desisti, diz que faz parte do processo de cura, você vomita e literalmente põe pra fora todo o mal.
Iniciada a sessão, chá devidamente deglutido, todos em seus locais, prontos para uma viagem divina. Sentamos nas nossas cadeiras que ficam dispostas em forma de círculo com uma grande mesa retangular no centro. Sentado a essa mesa, estava o Mestre que é quem conduz a sessão. Nesse dia em especial o Guru era um visitante de outro núcleo, veio de longe com a família, do sertão de Pernambuco. Pois bem, começou a tocar músicas, até agradáveis, parecia um tipo de música Andina, depois tocou forró, e outras que não me lembro mais. Minha prima, a responsável por me levar lá, já uma associada assídua, sentou-se ao meu lado, ela tinha a função de me ajudar, caso precisasse.

Quarenta minutos se passaram e comecei a ouvir urros de gente vomitando, um horror. Muitas pessoas vomitando. Pensei: já deve estar batendo onda. Abri os olhos e percebi que estava um pouco tonta. Nada mais. De repente o Mestre se levantou e foi perguntando: está tudo bem? Tem borracheira? (borracheira é o que eles chamam a espécie de transe, ou alucinação). É de luz?

Eu disse que não tive borracheira, me mandaram elevar meu pensamento ao mestre. Fechei os olhos e tentei me concentrar, nada, branco, barulho de vômito, não conseguia elevar meu pensamento. Só me restou assistir aquilo tudo sóbria, de cara! O que vi não tinha nada de divino, as pessoas perguntavam questões sem sentido, pelo menos pra mim que não estava com o pensamento suficientemente elevado. O Mestre, aquele cabra da peste da caatinga, sem nenhuma instrução tinha que ter uma resposta pra tudo. Afinal ele é o Mestre.
-Mestre, posso fazer uma pergunta?
-Sim.
-Mestre o que é consciência?
-Como o nome já diz: cons-ci-ên-cia, consciência!
De repente outro sem noção pedia licença para uma nova pergunta:
-Mestre o que é estrela cadente?
-Estrela cadente... (pausa de 2 minutos) uns chamam assim... (pausa de 3 minutos) outros não.
Quando eu pensei que essa fosse a resposta definitiva, depois de uns 5 minutos o mestre respondeu:
-É um espírito de luz chegando à Terra.
É, foram quatro longas horas assistindo aquele ritual sem pé nem cabeça, oh fuck! Precisava elevar meu pensamento! Mas só vinham pensamentos práticos, tipo: amanhã vou à praia, depois preciso estudar um pouco, talvez cinema à noite... Cadê Nossa Senhora? E meu Ego, meu Alter ego?

No final de tudo, à meia noite, tudo acabado, o baile encerrado... Rolaram uns comes e bebes (nada alcoólico, lógico) percebi que tinham vomitado no meu tênis da New Order que eu adoro! Merda, mil vezes merda! Minha prima me perguntou: e aí, gostou? Eu respondi: achei o mestre burro pra caralho.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quem é esse Millôr Fernandes?


Certa vez num seminário sobre Radiologia, ainda na faculdade, um professor, referência no assunto, nome de livro! Terminou a sua apresentação com o seguinte conselho: queridos alunos, futuros cirurgiões dentistas, nunca deixem de estudar, além da odontologia, informem-se sobre artes, política, literatura. Não deixem que aconteça com vocês o que disse o Millôr Fernandes sobre os dentistas. Que quando se tira a cultura odontológica de um dentista não sobra nada.
De repente uma colega que estava sentada ao meu lado virou pra mim e perguntou: quem é esse Millôr Fernandes? Que idiota!

O inferno é aqui



Depois de quase um ano trabalhando no sertão nordestino, no Programa de Saúde da Família, tratando de pessoas necessitadas e outras nem tanto, resolvi voltar para a civilização, cansei das longas viagens pra casa nos finais de semana, cansei da mesmice redundante e do tempo quase parado e quente do sertão. Precisava respirar a maresia novamente, ver gente hidratada e me livrar daquelas rachaduras nos pés que adquiri ao longo dos oito meses no sertão da Chapada Diamantina.

Consegui um emprego em Candeias, na região metropolitana de Salvador a vantagem era estar perto de casa, e a clínica parecia um bom lugar pra se trabalhar, além de rolar muita grana por ser uma região petrolífera.


Com o passar dos dias fui percebendo que a cidade era estranha, ou melhor, medonha. Ladeiras intermináveis, suas casas ordinárias, mal acabadas. Todas elas, sem exceção, tinham tijolos aparentes, ou uma laje exposta com seus vergalhões apontando para o céu.


À medida que o tempo foi passando fui criando uma espécie de ódio pela cidade, aquilo não poderia ser uma cidade de verdade. Comecei a achar que fosse uma cidade cenográfica de alguma novela do Agnaldo Silva, e eu estava ali fazendo uma figuração. Só faltava o chato do Antônio Fagundes comandando aquele caos, com a ajuda do Lázaro Ramos, claro.


A poluição sonora da cidade é singular, isso sem falar no calor dos infernos, nada diferente do sertão. A galera adora um alto-falante, as propagandas são feitas em carros de som, que lá são sinônimos de trios elétricos, isso mesmo, as ruas estreitas com trios elétricos subindo e descendo anunciando ofertas do comércio. Tem também os carros de som anunciando a morte de algum cidadão candeiense (acho que é esse o nome do infeliz que nasce em Candeias).


Lá se faz uma procissão com o defunto, os familiares, amigos, curiosos e o carro de som, óbvio, narrando os dados do finado. Outro dia quase morro de rir enquanto subia a ladeira em direção à clinica, dei azar, tava rolando a tal procissão. O locutor dizia: morreu essa madrugada o senhor Raimundo, conhecido com Raí, irmão de Neco, marido de Tonha, vizinho de seu Gildásio, pai de Ronildo, também conhecido como Nildão... E assim foi até chegar na encarnação passada do finado.

Falando sério, Candeias só não deve ser pior que a Faixa de Gaza. Todo dia me pergunto: que diabos estou fazendo aqui? Logo eu que aprecio as coisas belas da vida, é muito castigo, só posso ter jogado pedra na cruz, ou cuspido na Santa Ceia.

Ouvi dizer que há muito tempo atrás era um local de tráfico de escravos, que a cidade tem uma energia pesadíssima e hoje o índice de violência também é alto.
Enquanto não encontro uma resposta mística porque eu, uma pessoa com gostos tão refinados, preciso fazer parte daquela instalação Cubista- Dadaísta- Naif desconstruída vou seguindo, queimando meu karma e bolando um jeito de “vazar” pra sempre daquele bueiro.